domingo, março 15, 2009

Testamento

Quando morrer,
faz-me uma festa,

animada, garrida,
bailada, vivida,

que comigo diga,

sem desespero,
luto ou choro,

só com o cheiro
do suor do bailar

de ti a dançar!

. . .......Eu serei a música!

Martin Guia
“Pedro que és Pedra”

Hugin Editores, 2003

3 comentários:

Mariz disse...

Salvé amigo

Dançar é comigo mesmo...
mas em dia de partida isso é um tanto difícil demais...por muito preparados que estejemos.
Já consegui deixar de chorar os mortos, mas dançar e cantar de alegria...é um pouco demais para quem ainda não cultivou o desapego totalmente.
E é a partir daí que se deve começar....
não criar apegos nem expectativas - principais motivos para a dor e o desencanto!

Abraço meu
sempre...por aqui...
Mariz

Helena disse...

Olá José Maria
Agradeço o seu comentário, assim como as palavras generosas relativamente ao meu blog. Em "Tempo de Viagem" sempre um nível de qualidade excelente, tanto no que escreve, no que fotografa, como nas escolhas que faz, em todos as obras que sábiamente nos mostra.
Cumprimentos para toda a familia
Helena

Dan disse...

"As pessoas não morrem, ficam encantadas”, disse Guimarães Rosa aos 18 anos de idade, na ocasião da morte de um colega da Faculdade de Medicina da Universidade de Minas Gerais. Após 41 anos, a frase foi repetida em sua posse na Academia Brasileira de Letras, lugar de imortalização dos escritores, ao qual Rosa teve acesso, ele se encantou 3 dias depois. Hoje, anos mais tarde, a frase é lembrada pelo encantado das veredas, dos idiomas e das diferenças. Linda poesia me fez lembrar Guimarães.