sexta-feira, abril 03, 2009

Evolução

Temos pedras que não sabemos
E força para as usar.
Temos palavras que não calamos
E verbos capazes de calar.

Temos pedras que não sonhamos
E arte para as lançar.

Com medo nos atiramos
Ao encontro do mistério.
Gritamos a nossa raiva
Transformada em impotência.
Somos prisioneiros
Da nossa incerteza
Da nossa insegurança.

E agarramo-nos
Crispados
À noite que inventámos.

Condenámos a inquisição
Mas fomentámos
A escravidão.

Abolimos a escravatura
Mas descobrimos
A opressão.

Quisemos o fim da opressão
Mas sonhámos
O extermínio.

Ousámos um mundo novo
Mas assumimos
A marginalização.

Ontem, como hoje,
As leprosarias,
Os Santos Ofícios,
As galés,
Os guetos.

Ontem, como hoje,
A dúvida,
A insegurança,
A ignorância.

O mesmo medo!

(Teorema, Dezembro 2003)

4 comentários:

Efigênia Coutinho disse...

Estimado ZÉ MARIA, a sua poesia é plural, multifacetada, plussignificativa. Por conseguinte, a maneira de decifrar o que se observa ou perscruta, é diferente em cada ser humano! Este é o enigma e a essência duma boa poesia a de ZÉ MARIA.

Eu já estava saudosa de sua visita com versos, muito obrigada e uma:
FELIZ PÁSCOA
Efigênia Coutinho

~*Rebeca e Jota Cê *~ disse...

Então, Zé, um vinho sempre cai bem, quando a alma já está esparramada na cama das emoções.

Não temos como escapar, por um lado ganhamos e, com certeza, perdemos alguma coisa do outro. Prefiro quando acentuamos as coisas boas, positivas e que o resto só faça parte de restos. Muito boa essa oposição de ideias e as ideias. Abraço!

Até a próxima.

Jota Cê

-

€ster disse...

Querido Zé!

Que poema cheio de significados, meu amigo! Grande poema, este vai para a galeria!!

Já devo ter lhe dito que aprecio muito quando me visitas no meu blog Esterança, e digo de novo, para que não esqueças! :D


grande abraço,

Multiolhares disse...

Os tempos mudam
Os nomes mudam
mas tudo se repete
nada aprendemos

Beijos