quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Tempo interior

O caminho que percorro
Seduz-me sempre
E deixo conduzir-me
Mesmo que cá dentro
A vontade adormeça

À minha volta
Envolvem-me em teias
Urdidas pela sedução
E tentam-me com mestria
Pegam em mim
E levam-me
Seguros da sua certeza

Nem sequer sei recusar

Mergulho em espaços fechados
Onde tudo e todos se descobrem
Luz e oiro
Onde tudo e todos se mostram
Claridade e brilho
Mostram-me o que quero ver
Maravilha, prazer, deleite
Não me abandonam
Nem me deixam comigo
Apenas comigo

(Muitas vezes a solidão revela...)

Levam-me em viagem
Alucinante e vertiginosa
Onde tudo
Rodopia em espirais
Que prendem os olhos
Em hipnoses adormecidas

Querem a minha palavra
A minha frase
A minha letra
Proibem o meu silêncio
E calam os meus olhos
Em danças frenéticas
Que me escondem de mim

(Muitas vezes o parar revela...)


Mas há sempre um momento
Um instante inquietante
Que nos questiona e interpela
E então descobrimo-nos
Perdidos no vazio do muito
Que julgamos à nossa volta

Mas há sempre um momento
Um tempo sempre renovado
Que nos envolve e acaricai
E nos mostra como num espelho
O ser que julgamos estranho
Mas descobrimos afinal nosso

É o momento de cada um
Feito momento colectivo
Na serenidade e na perenidade
De um tempo que não sabemos
Mas procuramos desvendar

É o momento breve de breve instante
Que revela sem descobrir
E com a tranquilidade do tempo
O ser que mesmo sem o sabermos
Habita bem dentro de nós próprios

5 comentários:

mundo azul disse...

_________________________________

E como precisamos do silêncio para nos encontrarmos...

Lindo, profundo e reflexivo o seu poema!

Beijos de luz e o meu carinho...

___________________________________

Fabi Guaranho disse...

Lindas palvras, e mais linda ainda é sua Lisboa, tive o prazer de conhecê-la em setenbro do ano passado e não vejo a hora de retornar.
Abçs

Zé Maria disse...

Cara Zélia
É verdade, o silêncio é o maná que às vezes nos alimenta mesmo.
Bjs

Zé Maria disse...

Cara Fabi Guaranho
Obrigado pela visita que já retribui.
Fico contente de que tenha gostado desta minha/nossa Lisboa.
Espero que volte, já que o Atlântico mais não é que a via de comunicação entre gente que se irmana na mesma humanidade.
Abraço

Mariz disse...

"É no silêncio que nos ouvimos e comunicamos" - esta frase soou numa meditação.
Transcrevi-a para um dos meus blogs...e ficará perpectuada...quem quiser que a agarre.

Silêncio...precisa-se!
e não é caro...apenas trabalhoso.

Sempre..
Mariz

ESPAVO!