quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Há dias assim

Há dias em que o que nos surge no branco que queremos preencher nada mais é do que outro branco bem realçado num fundo anda mais branco.

Há dias em que os nossos olhos mais não enxergam que uma névoa cinzenta no cinzento farrusco da tela que julgávamos manhã e tarde para respirar.

Há dias em que a música que envolve o nosso espaço tão pouco de harmonia se reveste que mais parece rouquenhas cacofonias ferindo os nossos frágeis tímpanos.

Há dias assim. Queremos preencher o branco do papel em atitude de comunhão, se não com os outros, pelo menos connosco próprios.

Mas o que acabamos, afinal, por ser capazes de fazer é tão somente dizer isso mesmo: há dias assim, em que não conseguimos dizer nada.

E mesmo isso, sai-nos dolorosamente e como momento de expiação.

4 comentários:

Efigênia Coutinho disse...

Há dias assim. Queremos preencher o branco do papel em atitude de comunhão, se não com os outros, pelo menos connosco próprios.

BRAVO!!! Há dias assim diferentes que alguém escreve no branco do papel, e que vamos lendo até a alma branca do papel!
Agradecida com suas considerações sobre meus versos...Há dias assim, cheios de euforias!
Efigênia Coutinho

poetaeusou . . . disse...

*
há dias assim,
de debotado branco,
brancos acinzentados
multiplicados
em mil nostalgias
tornando os dias
em cores encardidas
que não são vividas
há dias assim,
,
profunda prosa, a tua,
,
abraço
,
*

Zé Maria disse...

Cara Efigênia
Há mesmo dias assim. Diferentes e, se calhar, afinal, tão iguais...
Bom fim-de-semana

Zé Maria disse...

Poeta
Na verdade há dias assim, em que nos descobrimos assim...
Um abraço e bom fim-de-semana