quinta-feira, agosto 28, 2008

Pensamentos subversivos (LXXIV)

Palavra de honra que não queria dizer nada, mas a cada dia que passa, e a cada coisa [destas, por exemplo] que se vai vendo, cada vez mais me vou convencendo que eles, esses mesmos, afinal apenas continuam a ter mão bem dura e pesada para os mais fracos dos mais fracos. Porque o que se vai percebendo cada vez mais é que os outros, esses mesmos, cada vez se vão tratando com mãos bem macias, leves, suaves e, quiçá, por vezes até, bem carinhosas.
Ora porra para tudo isto!

quarta-feira, agosto 27, 2008

Vale a pena ler

terça-feira, agosto 26, 2008

“HAIKU” [XXX]

Como uma criança
A sacudir uma árvore –
Casa de Verão.

TSUDA KIYOKO (n. 1920)

domingo, agosto 24, 2008

Outros olhares

Aldemir Martins
Marinha
Acrílica sobre tela, 1976
Imagem daqui

sexta-feira, agosto 22, 2008

Há olhares

Há olhares
Que mais não são que apenas reflexos
Dos interiores da nossa existência

Há olhares
Que mais não são que apenas sinais
Do que mais escondido procuramos reter

Há olhares
Que mais não são que apenas gritos
Que ressoam das nossas incapacidades

Há olhares
Que mais não são que apenas nuvens
Que mitigam as nossas dores e inquietações

E há olhares
Que mais não são, afinal, que apenas armas
Que atingem quase sempre as nossas certezas

quarta-feira, agosto 20, 2008

Dixit

«(...) O presidente do Comité Olímpico diz que o COP prepara "os atletas desportivamente, não culturalmente. A educação não é connosco". Bingo…! Percebe-se agora por que as coisas nos estão a correr mal em Pequim. (...)»
Camilo Lourenço
Os Mamedes e a gestão olímpica
Jornal de Negócios, 20.08.2008

terça-feira, agosto 19, 2008

“HAIKU” [XXIX]

Sinto-me tão só
Enquanto escrevo o meu nome –
Quente madrugada.

UDA KIYOKO (n. 1935)

segunda-feira, agosto 18, 2008

Um pedacinho de vida

Trabalhei limpando casas,
Colhi frutos, vindimei, ...
Com alegria, voando nas asas,
De um sonho que sonhei.

A fantasia foi concluída.
Mas talvez por falta de sorte,
Depois de lutar pela vida,
Tive de lutar contra a morte.

No momento da partida,
Implorei com humildade.
Um pedacinho de vida,
Uma nova oportunidade!

Para distribuir felicidade,
A Deus pedi, a sorrir.
Por quem não tinha idade,
De ver sua mãe partir.

Estas quadras que faço,
São como um hino à vida.
Nelas ponho um pedaço,
De quando a julguei perdida.

A vida pode ser bela,
Na sua simplicidade, ...
Se passarmos por ela,
Vivendo com dignidade, ...

Helena Eusébio Santos
In Biblioteca de Óbidos’2003
Poesia Popular Obidense

domingo, agosto 17, 2008

sábado, agosto 16, 2008

Pensamentos subversivos (LXXIII)

Cá para mim, parece-me que anda por aí muita gente a confundir as coisas. [Ou, se calhar até não, o que será bem pior.]

E cada vez mais me vai parecendo que com esta nossa mania de termos de ser umas cabecinhas bem-pensantes, umas mentalidades mais do politicamente correcto do que da realidade existente, ainda vamos acabar por descobrir um dia que isto vai tudo por água abaixo.

Ou, se calhar, afinal de contas, andamos mas é todos a dormir. E nem sequer nos damos ao trabalho de pensar que, se calhar, até há gente que não dorme. E, se calhar, até é a única verdade de tudo o que acabei de escrever...

quarta-feira, agosto 13, 2008

terça-feira, agosto 12, 2008

segunda-feira, agosto 11, 2008

Olho os meus dias

Olho os meus dias como se olham as nuvens
E os meus olhos como que vão aprendendo
O sabor da liberdade que o vento lhes permite.

Olho os meus dias como se olham as ondas
E os meus olhos como que vão descobrindo
A força fecunda da profunda imensidão.

Olho os meus dias como se olha o horizonte
E os meus olhos como que vão pressentindo
A serena perenidade da própria vida.

domingo, agosto 10, 2008

Provérbios Pós-Modernos

Roda quadrada já é um espanto, mas a triangular dá menos um solavanco.
In Tomás Lourenço, Provérbios Pós-Modernos, Âncora Editora

sábado, agosto 09, 2008

sexta-feira, agosto 08, 2008

Quotidianos [V]

Tinham fechado a Rua Principal, porque uma das condutas de água que lhe inundava o interior tinha-se rompido. A água, assim liberta, tinha começado por invadir os passeios de ambos os lados e ameaçava alguns pisos térreos das casas que a ladeavam.

Quando fecharam as torneiras de segurança, a montante, ficou o alagado em que se tinha transformado a Rua Principal. E onde, como sempre nestes casos, algumas crianças aproveitavam para recreios, mais ou menos molhados.

Com tudo isto, a viagem tinha-se demorado e já não tinha a certeza de que valeria a pena chegar onde deveria chegar. Porque as esperas, quando demoradas, deixam de ser esperas. E não é o mesmo estar à espera, estando, que esperar, indo.

Quando se libertou da fila enorme que, com a calma dos conformados, aguardava a liberdade do caminho, teve um pressentimento que o inquietou. O tempo já não era o tempo da viagem. Era o tempo da demora.

Respirou fundo e acelerou, com o sentimento estranho do destino incerto. À sua frente, ainda muito tempo até que o momento esperado se manifestasse.

Lá à frente, bem lá à frente, numa mesa de uma pequena esplanada bem aquecida pelo Sol, ela lia um livro, com o coração à espera. Porque a espera, por vezes, precisa de se perder noutros momentos, noutros locais, mesmo que imaginados.

Desculpa, foi o que conseguiu articular, enquanto se deixava afundar na cadeira que o esperava à frente dela. Que o olhou com aquele olhar que só aqueles que conhecem a palavra gostar podem compreender. E partilhar. Olhar partilhado na vontade de um beijo com sabor a reencontro.

E quando é assim, a demora da espera encontra tempo no tempo de bem-querer. E quando é assim, a espera descobre-se no chegar, para se aventurar no partir da viagem que só conhece o desconhecido.

quinta-feira, agosto 07, 2008

Outros olhares

DELACROIX, Eugène
The Barque of Dante
1822, Oil on canvas, 189 x 246 cm
Musée du Louvre, Paris
Imagem
daqui