Os teus olhos
Apenas nos trouxeram
A dúvida
Os teus olhos
Apenas nos desvendaram
A incredulidade
Os teus olhos
Apenas nos revelaram
O temor
Os teus olhos
Apenas eram os teus olhos
Que nos fitaram
Se calhar sem ver
Se calhar sem nos ver
Porque os nossos
Os olhos que ainda mantemos
Parece que já esqueceram
Porque os nossos
Os olhos que ainda abrimos
Parece que já cegaram
E talvez fosse tão simples
Olhar tão simplesmente
quarta-feira, agosto 06, 2008
terça-feira, agosto 05, 2008
É bem verdade [vale a pena ler]
«(…) É que quando se descobre que gostar de um clube e raciocinar não são actividades incompatíveis, o mundo ganha logo uma outra cor.»
João Miguel Tavares
OLÁ, EU CHAMO-ME JOÃO E GOSTO DE FUTEBOL
Diário de Notícias, 05.08.2008
João Miguel Tavares
OLÁ, EU CHAMO-ME JOÃO E GOSTO DE FUTEBOL
Diário de Notícias, 05.08.2008
Quotidianos [IV]
Saiu de casa com a sensação de que o dia haveria de lhe trazer algumas surpresas. Era dia 30 deste mês, o último a que cabia consultar a conta bancária para ver se o ordenado lá havia sido depositado. Para mais, também era dia, afinal o último de cada mês, que tinha que ter a conta mais ou menos preenchida, pois o recibo da renda de casa lá caía inexoravelmente.
Imaginou a bica, tomada em pensamento, com um colega que com ela partilhava a carruagem de metro e aguentou a viagem em diálogo de colega.
Antes de subir ao segundo andar, onde todos os dias cumpria as ordens que lhe competiam numa azáfama de papéis a transportar, sentiu um calafrio no coração ao olhar o pequeno papel que acabava de sair da caixa de Multibanco, com o saldo da sua conta. Repetiu a operação, agora pedindo os movimentos dos últimos dias, mas lá não constava o que já desesperava encontrar. Neste último dia do mês, dia em que devia receber o ordenado com que quase conseguia não pagar a renda da casa, o pequeno papel apenas lhe revelava o branco da ausência devida.
Jacinta, a jovem mãe solteira, que apenas consigo própria podia contar nos dias que vivia com a filha, acabava de descobrir que tinha um longo dia à sua frente. Longo, difícil e dorido, é certo. E o primeiro telefonema que recebeu, chamada privada no telemóvel, ainda sem capacidade de gerar ele próprio chamadas, foi precisamente do banco, a questionar o negativo da conta, com a renda do empréstimo por cumprir. Ao chegar à secretária, que a esperava diariamente com a paciência da imobilidade, apenas foi capaz de se ouvir: “mas como é que vou resolver isto, hoje?”
Ia ser um longo dia, isso Jacinta sabia bem. Como outros que tentava esquecer. E, nesta manhã, de um dia que iria ser, certamente, bem longo, não era de Clara, a filha, que Jacinta agora se lembrava. O que Jacinta agora se lembrava era do contrato precário que ainda ninguém tinha tido a coragem de transformar, com toda a justiça, em situação normal de trabalho. E que por isso mesmo, às vezes, permitia que a paga pelo seu esforço, pelo seu trabalho, se atrasasse sem se saber lá muito bem porquê.
E, já agora, Jacinta sabia muito bem que, se calhar, quem não tinha feito tudo ao seu alcance para que a normalidade fosse o caso, tinha a sua normalidade perfeitamente resolvida. E, bem demais, se calhar.
Imaginou a bica, tomada em pensamento, com um colega que com ela partilhava a carruagem de metro e aguentou a viagem em diálogo de colega.
Antes de subir ao segundo andar, onde todos os dias cumpria as ordens que lhe competiam numa azáfama de papéis a transportar, sentiu um calafrio no coração ao olhar o pequeno papel que acabava de sair da caixa de Multibanco, com o saldo da sua conta. Repetiu a operação, agora pedindo os movimentos dos últimos dias, mas lá não constava o que já desesperava encontrar. Neste último dia do mês, dia em que devia receber o ordenado com que quase conseguia não pagar a renda da casa, o pequeno papel apenas lhe revelava o branco da ausência devida.
Jacinta, a jovem mãe solteira, que apenas consigo própria podia contar nos dias que vivia com a filha, acabava de descobrir que tinha um longo dia à sua frente. Longo, difícil e dorido, é certo. E o primeiro telefonema que recebeu, chamada privada no telemóvel, ainda sem capacidade de gerar ele próprio chamadas, foi precisamente do banco, a questionar o negativo da conta, com a renda do empréstimo por cumprir. Ao chegar à secretária, que a esperava diariamente com a paciência da imobilidade, apenas foi capaz de se ouvir: “mas como é que vou resolver isto, hoje?”
Ia ser um longo dia, isso Jacinta sabia bem. Como outros que tentava esquecer. E, nesta manhã, de um dia que iria ser, certamente, bem longo, não era de Clara, a filha, que Jacinta agora se lembrava. O que Jacinta agora se lembrava era do contrato precário que ainda ninguém tinha tido a coragem de transformar, com toda a justiça, em situação normal de trabalho. E que por isso mesmo, às vezes, permitia que a paga pelo seu esforço, pelo seu trabalho, se atrasasse sem se saber lá muito bem porquê.
E, já agora, Jacinta sabia muito bem que, se calhar, quem não tinha feito tudo ao seu alcance para que a normalidade fosse o caso, tinha a sua normalidade perfeitamente resolvida. E, bem demais, se calhar.
segunda-feira, agosto 04, 2008
A estrada de Jó
A estrada abriu-se à minha frente
E engoliu-me na pressa de chegar.
À minha espera no distante do caminho
A dúvida da sorte e da má sorte
De um momento que não se deseja.
Às vezes, a vida consegue lembrar-nos
Que também de Jó herdámos os dias.
A estrada abriu-se à minha frente
E nela me perdi, desencontrado de mim.
À minha frente, na lonjura da distância
Apenas a certeza de que o momento
Era o tempo dos caídos e dos abatidos.
E engoliu-me na pressa de chegar.
À minha espera no distante do caminho
A dúvida da sorte e da má sorte
De um momento que não se deseja.
Às vezes, a vida consegue lembrar-nos
Que também de Jó herdámos os dias.
A estrada abriu-se à minha frente
E nela me perdi, desencontrado de mim.
À minha frente, na lonjura da distância
Apenas a certeza de que o momento
Era o tempo dos caídos e dos abatidos.
domingo, agosto 03, 2008
sábado, agosto 02, 2008
Como um rio que não chega
Por mais que a ousadia se manifeste
E o risco seja parte integrante da viagem
Há sempre alguém que não chega
Há sempre alguém que se prolonga
Há sempre um rio nas areias do ocaso
Porque nem sempre o desejo se faz destino
Também muitas vezes a foz não é chegada
Por mais caminhos que se percorram
E a estrada se descubra permanente
Há sempre alguém que não parte
Há sempre alguém que não chega
Há sempre um mar que não se levanta
Porque nem sempre a vontade se conquista
Muitas vezes o desalento acaba por chegar
Por mais histórias que se manifestem
E o tempo permaneça perene e infinito
Há sempre alguém que se esquece
Há sempre alguém que se confunde
Há sempre uma ilha que nos espera, enfim
E o risco seja parte integrante da viagem
Há sempre alguém que não chega
Há sempre alguém que se prolonga
Há sempre um rio nas areias do ocaso
Porque nem sempre o desejo se faz destino
Também muitas vezes a foz não é chegada
Por mais caminhos que se percorram
E a estrada se descubra permanente
Há sempre alguém que não parte
Há sempre alguém que não chega
Há sempre um mar que não se levanta
Porque nem sempre a vontade se conquista
Muitas vezes o desalento acaba por chegar
Por mais histórias que se manifestem
E o tempo permaneça perene e infinito
Há sempre alguém que se esquece
Há sempre alguém que se confunde
Há sempre uma ilha que nos espera, enfim
sexta-feira, agosto 01, 2008
Há agradecimentos que não devem ficar esquecidos
Depois de ontem à noite, obrigado Tony, cá o Zeca fica agradecido...
quinta-feira, julho 31, 2008
Quotidianos [III]
Todas as tardes era costume aparecerem ali para os lados do Largo da Igreja os que, dispensados das suas ocupações de anos e anos de labuta, acabavam por poder gozar os dias com mais calma e tranquilidade. Melhor ou pior reformados, ou aposentados, como também é costume dizer hoje, ali, naquele espaço colectivo, davam asas às suas lembranças feitas memórias de dias que a maior parte das vezes até estavam já esquecidos.
E nas mesas, ali colocadas por quem, se calhar, já preparava os seus próprios dias futuros, aventuravam-se em torneios que, à semelhança de outros mais antigos, lhes acalmavam e acariciavam os egos já ressequidos.
Também ele, vindo dos encontros e desencontros que os dias proporcionam cada vez mais ao comum dos mortais, ali estava, cartas na mão, a lembrar lanças e espadas passadas, e pronto para a refrega que o haveria de saciar. Mesmo que de vitórias apenas descobrisse e sentisse as asas do sonho.
E nas mesas, ali colocadas por quem, se calhar, já preparava os seus próprios dias futuros, aventuravam-se em torneios que, à semelhança de outros mais antigos, lhes acalmavam e acariciavam os egos já ressequidos.
Também ele, vindo dos encontros e desencontros que os dias proporcionam cada vez mais ao comum dos mortais, ali estava, cartas na mão, a lembrar lanças e espadas passadas, e pronto para a refrega que o haveria de saciar. Mesmo que de vitórias apenas descobrisse e sentisse as asas do sonho.
quarta-feira, julho 30, 2008
terça-feira, julho 29, 2008
Tempo de estar
Aqui
Onde me quedo e aguardo
Espero
Aqui
Onde me descobrem apenas eu
Espero
Aqui
Onde me buscam ainda
Espero
Aqui
Neste tempo e neste espaço
Apenas há lugar para ficar
Aqui
Nesta terra e neste banco
Apenas há lugar para aguardar
Aqui
Neste momento de quase silêncio
Apenas há vontade de estar
Onde me quedo e aguardo
Espero
Aqui
Onde me descobrem apenas eu
Espero
Aqui
Onde me buscam ainda
Espero
Aqui
Neste tempo e neste espaço
Apenas há lugar para ficar
Aqui
Nesta terra e neste banco
Apenas há lugar para aguardar
Aqui
Neste momento de quase silêncio
Apenas há vontade de estar
segunda-feira, julho 28, 2008
Quotidianos [II]
De desencontros não queria que se tornasse o tempo que tinha à sua frente. Até porque talvez já fosse tempo de transformar a nostálgica apatia com que acabava por mergulhar nos dias que corriam em animado querer e desejar.
No jardim, que acabava por deixar, acabava por ficar a sua própria apatia. Acabava por ficar o que há algum tempo o queria continuar a prender e a abafar.
No jardim que acabava por deixar, ficava igualmente a espera feita vazio, ausência. Ao não conseguir aguentar o momento de ânsia, de querer e não querer, a sua amiga apenas tinha proporcionado que descobrisse um novo tempo, o tempo de ousar, o tempo de arriscar outros desejos, outros destinos, outros horizontes.
Desceu com o vagar dos que conhecem o longe e o distante a rua estreita que o haveria de levar até ao pequeno café, onde, se não todos os dias, pelo menos quase todos, costumava sentar-se e pôr em dia a leitura dos jornais. Era um hábito ganho no tempo em que era útil, quase vital, que conhecesse o que se ia passando nesta aldeia global que acaba por ser a de todos nós. Hábitos de funcionalismos, quase sempre públicos.
Passou a porta, estranhamente larga para casa tão pequena, e viu-a. Na mesa onde se costumava sentar, alguém lhe acenava e convidava a estar. Entrou ainda mais devagar, como se o tempo da demora fosse afinal o tempo do desejo. E sentou-se. Com a calma e a tranquilidade dos que conhecem o sabor da espera repleta de sensações de amena alegria.
Afinal, pensou, há desencontros que mais não são que oportunidades de novos encontros. Se calhar, a vida até acabará por ser mesmo isso, uma estrada cheia de encontros e desencontros. Que temos de percorrer. Quer queiramos, quer não.
No jardim, que acabava por deixar, acabava por ficar a sua própria apatia. Acabava por ficar o que há algum tempo o queria continuar a prender e a abafar.
No jardim que acabava por deixar, ficava igualmente a espera feita vazio, ausência. Ao não conseguir aguentar o momento de ânsia, de querer e não querer, a sua amiga apenas tinha proporcionado que descobrisse um novo tempo, o tempo de ousar, o tempo de arriscar outros desejos, outros destinos, outros horizontes.
Desceu com o vagar dos que conhecem o longe e o distante a rua estreita que o haveria de levar até ao pequeno café, onde, se não todos os dias, pelo menos quase todos, costumava sentar-se e pôr em dia a leitura dos jornais. Era um hábito ganho no tempo em que era útil, quase vital, que conhecesse o que se ia passando nesta aldeia global que acaba por ser a de todos nós. Hábitos de funcionalismos, quase sempre públicos.
Passou a porta, estranhamente larga para casa tão pequena, e viu-a. Na mesa onde se costumava sentar, alguém lhe acenava e convidava a estar. Entrou ainda mais devagar, como se o tempo da demora fosse afinal o tempo do desejo. E sentou-se. Com a calma e a tranquilidade dos que conhecem o sabor da espera repleta de sensações de amena alegria.
Afinal, pensou, há desencontros que mais não são que oportunidades de novos encontros. Se calhar, a vida até acabará por ser mesmo isso, uma estrada cheia de encontros e desencontros. Que temos de percorrer. Quer queiramos, quer não.
domingo, julho 27, 2008
“HAIKU” [XXVIII]
Boas-noites a florir,
Quando a pele duma mulher
Brilha em noite escura.
CHIYOJO (1703-1775)
Quando a pele duma mulher
Brilha em noite escura.
CHIYOJO (1703-1775)
sábado, julho 26, 2008
sexta-feira, julho 25, 2008
Quotidianos [I]
Era um dia como outro qualquer. Tinha acordado com os raios solares a despontarem ainda por entre o cinzento esbranquiçado das nuvens matinais. Como qualquer outro dia, este tinha espelhado no seu semblante a marca indelével do bem-estar e do bem sentir.
Ao sair de casa, encontrou-se, ainda que apenas por breves momentos, com um amigo de longa data. Na verdade, a vida só se pode desfrutar em plenitude se nos descobrirmos, não como seres isolados, abandonados a um qualquer acaso existencial, mas como membros agregados e afiliados de um grupo, de um corpo. De uma família, afinal. Seja ela qual for.
Demorou quase metade dessa manhã a chegar ao jardim onde alguém era suposto estar à sua espera. Mas a espera, por vezes, mais não é que momento de cansaços, de corpo e alma. E se a espera, de espera já desesperava, apenas acabou por se deixar ficar em ausência.
Por isso, quando olhou o vazio ajardinado do espaço da espera feita ausência, pressentiu a inevitabilidade do desencontro.
Não sem um sentimento de incómoda fatalidade, acabou por descobrir que, se calhar, a vida não é apenas feita de encontros e de achamentos, mas é talvez também impregnada de desencontros e de desalentos.
Ao sair de casa, encontrou-se, ainda que apenas por breves momentos, com um amigo de longa data. Na verdade, a vida só se pode desfrutar em plenitude se nos descobrirmos, não como seres isolados, abandonados a um qualquer acaso existencial, mas como membros agregados e afiliados de um grupo, de um corpo. De uma família, afinal. Seja ela qual for.
Demorou quase metade dessa manhã a chegar ao jardim onde alguém era suposto estar à sua espera. Mas a espera, por vezes, mais não é que momento de cansaços, de corpo e alma. E se a espera, de espera já desesperava, apenas acabou por se deixar ficar em ausência.
Por isso, quando olhou o vazio ajardinado do espaço da espera feita ausência, pressentiu a inevitabilidade do desencontro.
Não sem um sentimento de incómoda fatalidade, acabou por descobrir que, se calhar, a vida não é apenas feita de encontros e de achamentos, mas é talvez também impregnada de desencontros e de desalentos.
quinta-feira, julho 24, 2008
quarta-feira, julho 23, 2008
Cantiga de mal amado
Quando falas, parece que a tua palavra
Traz no seu seio aromas de “Azedas”
Bem ácidas
Quando te aproximas, parece que carregas
Nos teus alforges negros a marca
Da frustração
Quando olhas, parece que dos teus olhos
Apenas se vislumbra e distingue
A inquietação
Por mim, quando te sinto e retenho
Quando te desejo e te quero
Apenas espero
Traz no seu seio aromas de “Azedas”
Bem ácidas
Quando te aproximas, parece que carregas
Nos teus alforges negros a marca
Da frustração
Quando olhas, parece que dos teus olhos
Apenas se vislumbra e distingue
A inquietação
Por mim, quando te sinto e retenho
Quando te desejo e te quero
Apenas espero
segunda-feira, julho 21, 2008
Divagações [4]
Deixo-me cair abandonado
No sofá que sempre me acolheu
E acabo por respirar
A lenta e calma chegada
Da repousante sonolência
Doem-me os pés
Ainda quentes do caminho
E as pernas levantadas
Apressam o sangue inquieto
Revigorando o corpo sedento
À minha volta o silêncio revela-se
E o sonho descobre-se realidade
Já não sou eu que respiro
Nem os meus pés que se ouvem
Em mim, um outro manifesta-se
No sofá que sempre me acolheu
E acabo por respirar
A lenta e calma chegada
Da repousante sonolência
Doem-me os pés
Ainda quentes do caminho
E as pernas levantadas
Apressam o sangue inquieto
Revigorando o corpo sedento
À minha volta o silêncio revela-se
E o sonho descobre-se realidade
Já não sou eu que respiro
Nem os meus pés que se ouvem
Em mim, um outro manifesta-se
domingo, julho 20, 2008
Leituras [Que boas surpresas] de fim-de-semana
Amo a vida
A Vida foi-me negando
Coisas grandes, grandes lemas
E nem sempre fui feliz
Tanto “Inverno” a passar!
Mas o amor com que fiz
Mesmo as coisas pequenas
Deu-me forças para amar.
Maria Albertina Dinis Jorge
Rumos e Rimas
[Poemas, 2007]
A Vida foi-me negando
Coisas grandes, grandes lemas
E nem sempre fui feliz
Tanto “Inverno” a passar!
Mas o amor com que fiz
Mesmo as coisas pequenas
Deu-me forças para amar.
Maria Albertina Dinis Jorge
Rumos e Rimas
[Poemas, 2007]
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