quarta-feira, abril 25, 2007

25 de Abril

Palavra de honra que valeu a pena.
Palavra de honra que valeu a pena um dia, talvez já meio esquecido, uma “meia dúzia” de homens, se calhar sem saberem muito bem para onde iam, mas que sabiam muito bem para onde não queriam ir, terem arriscado ousar o que não se podia, então, ousar.
Palavra de honra que valeu a pena acordar um dia em alvoroço porque o ar que se respirava começava a oxigenar melhor os nossos corações.
Palavra de honra que valeu a pena um dia vermos uma flor no cano de uma metralhadora.
Palavra de honra que valeu a pena um dia subir a avenida de braço dado com os outros que não conhecíamos, mas que respiravam e sentiam o mesmo calor que aquecia e desvendava novas vidas.
Palavra de honra que valeu a pena, mesmo que muitas vezes não conseguíssemos olhar o mesmo caminho e corrêssemos vias diversas.
Palavra de honra que valeu a pena, mesmo que muitas vezes acordássemos em desassossegos desencontrados e abríssemos os olhos para a escuridão.
Palavra de honra que valeu a pena, apesar de todos os erros cometidos, apesar de os continuarmos a cometer.
Palavra de honra que valeu a pena, apesar dos nossos enganos e desilusões.
Palavra de honra que valeu a pena, apesar de nós próprios, até.
Palavra de honra que valeu a pena!

25 de Abril


















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Imagens: Daqui, daqui e daqui
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segunda-feira, abril 23, 2007

Momentos íntimos (III)

A maior parte das vezes,
Quando menos esperamos,
Apenas somos capazes de não existir.

sábado, abril 21, 2007

sexta-feira, abril 20, 2007

Momentos íntimos (II)

Sonho espaços libertos
De teoremas fragilizados

Espaço tempo
De descobertas renovadas
Sonhos de devir reassumidos

quinta-feira, abril 19, 2007

“Volta a limpeza de sangue”

"Acabo de ouvir em França uma frase com tanto bafio que só podia vir escrita em A Gazeta da Restauração, da Lisboa no séc. XVII, mas já não podia vir n'O Campeão Português, do séc. XIX. É que entre os dois jornais portugueses, houve o Marquês de Pombal, que aboliu a lei da "limpeza do sangue" que proibia ser funcionário quem tivesse antepassados judeus até à 5.ª geração. Pois, esta semana, em França, Le Pen disse, falando de Nicolas

Sarkozy: "O facto de ele ter três avós estrangeiros não o qualifica muito para Presidente da República"... Façamos as contas. O pai de Sarkozy, Pál, era húngaro, filho de húngaros. E vão dois avós estrangeiros. A mãe de Sarkozy, Andrée, é francesa, filha de franceses... Então, onde está o terceiro avô estrangeiro? Eu explico: o pai dela era de origem judaica. Mas francês. Para Le Pen, não francês. Como, aliás, dizia o Estatuto dos Judeus, em 1940, dos nazis, feito para expulsar a "sub-raça" da função pública francesa."

Ferreira Fernandes
Diário de Notícias, 19.04.2007

Interessante e curioso

Maria José Nogueira Pinto, hoje, no Diário de Notícias.

quarta-feira, abril 18, 2007

Memórias da minha gente

- Olha, parece que anda perdido.

Tínhamo-nos sentado há pouco. A mesa cheirava bem e sugeria-nos alguns sabores que nos esperavam com a paciência do apreciador.

A esta hora, a sala começava a encher-se e no ar as palavras perdiam-se em gestos cúmplices, esquecidos do tempo.

- É pá: está mesmo perdido.

Quando olhei para o lado, apenas os talheres, o copo, o guardanapo, me fizeram lembrar a sua ausência. Do vazio do lugar, soou-me bem aos ouvidos o ruído do silêncio que se abateu sobre nós.

Passados uns momentos, que de breves tiveram a lonjura do nosso espanto, chegou, preocupado e triste.

- Caramba, andava mesmo perdido. Coitado. Parecia tão triste.

E chegando-se para trás, na cadeira onde se sentara, abandonado de desalento, ficou-se por um

- Raio do “canito”. Deve ter-se perdido do dono.

Era o meu amigo Carlos, em todo o seu melhor. De amigo dos animais.

terça-feira, abril 17, 2007

segunda-feira, abril 16, 2007

Pensamentos subversivos XXI

Para poderem vender mais umas “paginazitas”, se calhar, não se importaram de a ter convidado para escrever umas crónicas.

Depois, em julgamento, apenas souberam dizer "os escritos não eram censurados" e que não tinham "conhecimento do teor das crónicas".

Se calhar, sou eu que sou ignorante, ou, no mínimo, ingénuo, mas não é costume ter alguém que “olhe” para as páginas antes de elas saírem?

"Essência do Ser"

Imerso, como grão de poeira, no imenso universo, dou comigo absorto e perplexo perante a essência do ser. Eu sou eu! Como a inefável rosa, eu medito na inevitável tautologia da consciência de mim. Assim, na realidade, entre o estar e a ausência reflicto na filosofia da efemeridade.

"Prosemas", António Moreira, Ed. Utopia, 2003

sábado, abril 14, 2007

As minhas origens

Imagem: GoogleEarth
Nasci num berço pequeno
Do ferro-velho era a terra
Escutava-se o Almonda
D’Aires sonhava-se a Serra.

sexta-feira, abril 13, 2007

Pensamentos subversivos XX

Isto é que é rigor jornalístico!

Ficámos todos hoje a saber que José Sócrates esteve matriculado no curso de Direito da Universidade Lusíada nos anos lectivos de 1987-88, 1988-89 e 1989-90, mas desistiu da licenciatura em Direito. E que na entrevista desta semana à RTP, em que prestou esclarecimentos sobre o seu percurso académico, Sócrates não fez qualquer referência à sua passagem pela Universidade Lusíada.

Prontos”! Ficamos todos muito mais descansados.

Citação do dia

“É preciso viver, não apenas existir.”
Plutarco
www.citador.pt

quinta-feira, abril 12, 2007

quarta-feira, abril 11, 2007

A minha estrada de Emaús

- É o Zé Maria, não é? Já o tinha visto há algum tempo aqui perto, mas não quis incomodá-lo.

À minha frente estava alguém que não via há mais ou menos uma década. Reconheci-o com alguma facilidade, pese embora os anos que nos tinham afastado. Na verdade, estava quase na mesma. O mesmo olhar, a mesma expressão de gente simples. Mas a mesma dignidade a impor-se na sua atitude.

Lembrámos tempos que soubemos partilhar em causas que descobrimos comuns. Tempos que foram de trabalho em conjunto com gente que era, afinal, a nossa gente.

Este encontro trouxe-me a sensação de que, apesar de tudo, se calhar, apesar de não termos conseguido grandes coisas de concreto, se calhar, apesar de mais parecer ter sido vão o esforço feito e o tempo gasto, afinal de contas, valeu a pena o termo-nos encontrado um dia num gabinete onde ainda se sonhava construir alguma coisa.

- Que bom tê-lo encontrado, Sô Zé, disse-me à despedida.

E, se ele estava feliz com o encontro, cá por mim, tenho a certeza que fiquei muito mais.

Em verdade se diga, há dias assim, que nos marcam. E que nos aquecem bem cá dentro.

terça-feira, abril 10, 2007

Tempos de Páscoa [Ou para que não digam que só sei dizer mal]

Ontem, mais uma vez, lá fui até ao hospital, para as minhas “crónicas” e habituais análises para se saber se o meu sangue tem o que é preciso para atravessar a válvula metálica com que me ornaram o coração.

A última visita tinha motivado o que
aqui escrevi.

Ontem, pelo contrário, tudo correu às mil maravilhas. Rapidez no atendimento, o que fez com que a simpatia de todos se manifestasse. Se calhar porque ainda se viviam os tempos da Páscoa. Se calhar porque, em vez de apenas um, como da outra vez, agora estavam lá mais médicos.

E até deu para uma pequena “reconciliação” com o clínico que me tinha “visto” da outra vez. Que, de facto, não era culpado de nada, a não ser o ter, por vezes, sobre os ombros, a responsabilidade toda que deveria ser com-partilhada.

Para que conste.

segunda-feira, abril 09, 2007

"In principium"

No princípio
No princípio dos princípios
Talvez eu não fosse
Talvez apenas sonhasse

No princípio
No princípio dos princípios
Talvez eu não sentisse
Talvez apenas pré-sentisse

No princípio
No princípio dos princípios
Talvez eu não soubesse
Talvez apenas desejasse

No princípio
No princípio dos princípios
Apenas o início
Apenas um tempo de aprender

sábado, abril 07, 2007

Olhares [do tempo]


Silêncio [Tempo de]

No princípio era o silêncio
E o silêncio estava lá
Momento primeiro
De um tempo sempre novo

No silêncio tudo se revela
E no entanto tudo se esconde

E o silêncio se fez ouvir
Eco que rasga o tempo
Ele é ruído
Que abala as nossas certezas
Ele é grito
Que provoca a nossa vontade
Ele é palavra
Que revela o nosso rosto

E o silêncio se fez gesto
E o silêncio se fez diálogo
Porque só de tudo
Em plenitude de todos

E o silêncio se fez futuro
E o futuro se fez silêncio
O ocaso do eterno silêncio

sexta-feira, abril 06, 2007

Olhares [do tempo]

CarmenGomez
Miradas para pensar
Acrilico sobre tela de algodón
http://www.exposicionweb.com/Colectiva/CarmenGomez.htm

Sexta-feira Santa

Eu, homem, me confesso.

Confesso
Que sou o que sou
Que gosto do que sou
Imperfeito
Falho
Cadente

Que amo a vida
Que sei a minha origem
O meu futuro

Que não sou como o meu Pai
Que é bom
Que é sábio
Que é

Eu, homem, me confesso

Confesso
A minha pequenez
A minha fragilidade

E confesso
Que quero viver

quinta-feira, abril 05, 2007

Olhares [do tempo]

Francisco Henriques
Última Ceia

c. 1508, óleo sobre madeira
Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa, Portugal
http://www.uc.pt/artes/6spp/f1.html

Poema Breve

Falaste.
Escutei.
Guardei.

quarta-feira, abril 04, 2007

No futebol também há gente grande

Desculpem lá qualquer coisinha, mas é com isto que se fazem os grandes homens.

Outros olhares

Pensamentos subversivos XIX

Quando, os nossos grandes iluminados [tolerantes, mas tão intolerantes] decidirem – a bem da nossa saúde, dizem – interditar o tabaco em todo o lado, creio bem que vou passar, eu que não sou já fumador, a exigir o direito à existência de um “café”, “bar” ou “restaurante”, onde se possa fumar, para poder estar tranquilamente em amena cavaqueira com alguns amigos meus que continuam a gostar de dar umas “fumaçazitas”.

terça-feira, abril 03, 2007

Rosas aqui na Blogosfera

Desta flor vem-me à memória algumas coisas: um milagre de uma rainha que acabaria santa, um livro que deu em filme. Mas também campanhas mais ou menos políticas.

Agora, coisas novas me surgem, nestas andanças “blogueiras”. É o caso do
Em Nome da Rosa, que espreitei ontem. Suave, ameno, feminino como uma rosa que se preze.

Ainda bem que andas por cá, cara colega Carmo. Muitas postagens é o nosso desejo.

Dúvidas subversivas VI

Quando é que os dirigentes dos nossos clubes desportivos perceberão que nas suas claques afinal grassa uma grande parte de delinquentes, de desordeiros, de vândalos?
Vamos deixar de continuar a andar a falar apenas de “aparas” e começar a falar do próprio “lenho”.

segunda-feira, abril 02, 2007

sexta-feira, março 30, 2007

Que bem me vai saber o Fim-de-semana

Juan M. Valcarcel Obelleiro
El descanso

Óleo y collage sobre Tabla
http://www.jvalcarcel.com/2003/paginas/taller03.htm

Citação do dia

Podemos estrangular os clamores, mas como vingarmo-nos do silêncio?
Alfred de Vigny
Escritor francês (1797-1863)
www.citador.pt

quinta-feira, março 29, 2007

Coisas da vida

O que é que o desiludiu? Nada, respondi. E era verdade.

Nem sempre os nossos caminhos são o continuar de outros caminhos ao longo da estrada da vida.
Nem sempre os nossos passos percorrem as mesmas estradas, ano após ano, mês após mês, dia após dia.
Nem sempre os nossos pés absorvem a mesma poeira, o mesmo calor, a mesma chuva, a mesma aragem, o mesmo vento.
Nem sempre os nossos momentos são fruto das mesmas famílias, das mesmas equipas, dos mesmos grupos, dos mesmos colectivos.

Por isso, às vezes os nossos caminhos são diversos daqueles em que iniciámos a jornada e daqueles com quem partimos.
Por isso, às vezes os nossos passos percorrem estradas estranhas, em etapas diferentes.
Por isso, às vezes os nossos momentos são fruto de gente que não sabemos, em espaços desconhecidos, em tempos ainda não descobertos.

Mas, quer queiramos ou não, muito embora todos os imponderáveis, todos os acasos ou não acasos, todos os nossos desejos ou anseios, o nosso ser, apesar de tudo, continua a ser o nosso ser.

Por isso, quando me perguntaram o que me tinha desiludido, para não pisar os mesmos rituais da vida, apenas pude responder: nada. E era mesmo verdade.

quarta-feira, março 28, 2007

terça-feira, março 27, 2007

A Comédia (divina) de Dante


“Ó cega cobiça, ó ira louca,
que nesta vida efémera nos incitas,
para nos banhar tão mal assim na eterna!”

Canto Décimo Segundo
(Sétimo Círculo)

segunda-feira, março 26, 2007

Citação do dia

Raramente conhecemos alguém de bom senso, além daqueles que concordam connosco
François, Duque de La Rochefoucauld
www.citador.pt

sábado, março 24, 2007

sexta-feira, março 23, 2007

Temporalidades

No silêncio das palavras que não se pronunciam
Escuta-se o som das vozes que não se calam.

No ar respira-se o alento que desejamos
E provocamos até que as forças nos abandonem.

Este é o tempo dos que conhecem o longe
E que sonham horizontes de perenidades.

quinta-feira, março 22, 2007

Pensamentos subversivos XVIII

Quando queremos que algo não se faça, basta reunirmos uma dúzia de pessoas para o fazerem.

Sobretudo, marcando pelo menos uma dúzia de reuniões com mais umas meias dúzias de uma dúzia de pessoas diferentes.

E se juntarmos a isto tudo uma meia dúzia de almoços e uma dúzia de jantares com todas estas pessoas, então – Oh deuses! – é a ineficácia total.

quarta-feira, março 21, 2007

terça-feira, março 20, 2007

Uma questão de respeito

Embora discorde frequentemente (vezes demais porventura) com ela, tenho por Maria José Nogueira Pinto o maior respeito. Como mulher, como cidadã, como política, até.

Por isso não posso deixar de sentir que
isto tudo o que se viu e passou nos últimos dias foi, para ela, uma grande injustiça. Que não mereceu, de todo.

Na verdade, há regressos que mais valia serem de partida.

Momentos íntimos (I)

Se te sentes
Como um barco a quem
Cortaram as amarras
Numa noite de tempestade
Lembra-te que aquele mar
Que ruge ao teu redor
É também o mesmo mar
Que te acaricia com suavidade
Quando o calor te afoga.

segunda-feira, março 19, 2007

Pensamentos subversivos XVII

Dizia antes que parece que temos mesmo homem. Só que também me parecia que de Espírito, nem novas nem velhas.

Agora, cada vez mais me vai parecendo cá a mim que ainda haveremos de ver um dia destes, aí por qualquer local, um “autozito de fé”, ou, no mínimo, umas “bruxazitas” a serem chamuscadas.

sábado, março 17, 2007

É Fim-de-Semana

Lorenzo Gonzalez Chavajay
Descansando (Resting)
Oil on canvas. 1992
http://www.artemaya.com/galgch.html

sexta-feira, março 16, 2007

Boa, BENFICA!

E ainda dizem que sou eu que tenho os meus “amores” de estimação (II)

Ontem, esperava uma noite tranquila. Como tantas outras que já tivemos, naquele rectângulo, onde uma bola serve para nos reconciliarmos com a própria vida.

E, vá lá, ontem até cumpriram aquilo que era o dever mínimo que à equipa se exigia: passar aos quartos de final. Com todas as contingências que o futebol tem, é evidente.

Mas, caramba, será que o Senhor Engenheiro – por quem tenho muito respeito, como homem – saberá bem o que é um guarda-redes?

quinta-feira, março 15, 2007

Sempre que me quiserem

Sempre que me quiserem desperto
Saibam que posso continuar adormecido.

Sempre que me quiserem aberto
Saibam que posso continuar hermético.

Sempre que me quiserem sentado
Saibam que posso levantar-me e partir.

Sempre que me quiserem de pé
Saibam que posso acomodar-me e ficar.

Sempre que me quiserem
Saibam que posso ser, enfim.

quarta-feira, março 14, 2007

Denominador comum

“(…) Agora que se fazem balanços dos anos de governo e presidência, confesso que para mim o melhor balanço foi mesmo aquele que vi no programa do "Gato Fedorento". Porque me acordou para essa imagem cada vez mais igual de todos os políticos - e ao mesmo tempo me lembrou que, para o bem e para o mal, Jorge Sampaio foi o último presidente de "rosto humano" que tivemos, como presumivelmente António Guterres terá sido o derradeiro chefe de governo a mostrar sentimentos, cumprindo a assinatura de Edson Athayde: "Razão e coração".O tempo agora, na política, como em quase tudo, é de pragmatismo e frieza. Não significa que seja melhor - mas em princípio será mais eficaz. Resta saber quanto tempo dura esta moda até o eleitor, o consumidor, o cidadão, se fartar desta régua e esquadro e desejar novamente uma lágrima ao canto do olho. Ou um grito de revolta. Já vimos de tudo nas últimas décadas. Vamos voltar a ver.”
Pedro Rolo Duarte
Diário de Notícias, 14.03.2007

Deixem-me lá ver se percebi bem: As tareias devem ser sempre mais que duas

O Tribunal da Relação do Porto (TRP) absolveu, no passado mês de Fevereiro, um homem acusado por um crime de maus tratos à mulher e condenado no Tribunal de Peso da Régua por dois de ofensa à integridade física simples. Como este crime depende de queixa particular, o arguido argumentou que a mulher não a apresentou um tempo útil. E os juízes desembargadores também consideraram que o indivíduo não cometeu um crime de maus tratos, porque bateu na mulher "apenas duas vezes".
Diário de Notícias, 14.03.2007

terça-feira, março 13, 2007

Não há nada que o tempo não venha a desvendar…

"O sueco Hans Blix, que chefiou a diplomacia de Estocolmo em 1978 -79, não tem dúvidas: a invasão do Iraque foi "claramente ilegal". Tivesse sido dado mais tempo - "alguns meses" bastavam - à equipa de inspectores da ONU que chefiava e o mais provável é que a "tragédia" iraquiana a que assistimos desde 2003 não teria acontecido. Blix dixit, ontem, em entrevista à Sky News."
Diário de Notícias, 13.03.2007

Dúvidas subversivas V

segunda-feira, março 12, 2007

Lugares vazios

Há um lugar vazio
No vazio do nosso espaço.

Trouxeram as letras do teu desejo
E o som do teu querer que alguns não ouviram.
Porque ausente em tempos de lonjura
De esquecimento foram os dias deste tempo.
E vazio ficou, assim, o lugar em julgamento.

Há um lugar vazio
No vazio que se criou no meio de nós.

sábado, março 10, 2007

sexta-feira, março 09, 2007

Enriquecimentos e empobrecimentos

Acordo dá à Teixeira Duarte mais de 12,6 milhões pelo abandono da Cidade Judiciária
Público, 09.03.2007

Como se diz – e muito bem – no Câmara Corporativa, “Não sei se há o tal enriquecimento injustificado que reclama o Dr. Marques Mendes, mas tenho a certeza de que o empobrecimento dos cidadãos contribuintes é mesmo injustificado”.

Mas, vá lá, vá lá, para salvar as contas públicas, já se tomaram algumas medidas: reduzem-se as férias e aumentam-se os horários dos funcionários públicos e mandam-se muitos deles embora. Por outro lado, encerram-se por aí umas escolazitas e umas unidadezitas de saúde. Enfim, o Estado tem que ser pessoa de bem

A Comédia (divina) de Dante


“Mas porque a fraude é pecado próprio do homem,
mais desagrada a Deus, e os fraudulentos
estão mais baixos e são lançados a maior dor.

Canto Décimo Primeiro
(Ainda o Sexto Círculo: Heréticos)

quinta-feira, março 08, 2007

Acasos da vida

Há convites que servem apenas para podermos dizer não.
Há convites que servem apenas para se saber o que se quer. Ou não quer.
Há convites que servem apenas para que não nos possam acusar de esquecimento.
E há, por isso, também, palavras que apenas significam as letras que as compõem.
Por mim, respondo-me como sou.
Tranquilo e sossegado.
Em paz com todos. E, sobretudo, comigo próprio.

Olhares [de hoje]

Lívio de Morais
Mulheres da Ilha de Moçambique
Óleo sobre tela
http://www.portugal-linha.pt/arte/lmorais/index.html

quarta-feira, março 07, 2007

Sei que sou

Não sei quem sou
Não sei donde vim
Não sei para onde vou

Sei quem me gerou
Não sei quem me criou

Só sei que sou

terça-feira, março 06, 2007

Afinal temos homem

E ainda dizem que sou eu que tenho os meus “amores” de estimação

Hoje, mais uma vez, lá fui ao hospital, ao serviço de imunohemoterapia, para as minhas análises, praticamente mensais, para que o sangue que me corre nas veias tenha a fluidez necessária à válvula mecânica com que me ornaram o coração. Coisa normal na vida de qualquer um que se preze.

Hoje, estive (e como eu, outros mais) no hospital mais de três horas, para fazer uma coisa que podia ser feita, calmamente, em trinta minutos. E já estou a ser bem tolerante.

Como “calmante”, que não pedi ao médico que me atendeu, em espanhol, a correr, diga-se, registei que, hoje, apenas um clínico ali estava ao serviço. Claro que o meu protesto não era para ele, que ali estava, afinal, fazendo, talvez, o seu melhor.

E depois não querem que fique apreensivo quando oiço e vejo o que está à vista de toda a gente: hospitais, urgências e maternidades encerradas, centros de saúde reduzidos e afastados dos que os utilizam. Ah, e para não falar nas taxas moderadoras e mais aquele famigerado conceito de “utilizador – pagador”.

Já agora, cá para mim, parece-me que saúde, educação, habitação, trabalho, são direitos fundamentais do ser humano. Sem os quais não pode haver dignidade na vida humana. Parece-me. Se estou enganado, peço desculpa.

domingo, março 04, 2007

Pensamentos subversivos XVI

Ao olhar o que nos estão a fazer (por ex. entrada anterior), quer-me cá parecer a mim, que um dia destes ainda vamos acabar por só podermos respirar se pagarmos o próprio ar que respiramos.

É preciso ter [lata] criatividade…

“A curiosidade das Finanças não tem limites. O fisco quer saber quanto dinheiro os pais dão aos filhos, quanto é que os maridos dão às mulheres e pretende cobrar imposto de selo nas doações entre irmãos. E vai começar a fiscalizar tudo.”

Miguel Ganhão
Sábado, “Trocos”, 01.03.2007

Leituras de fim-de-semana

  1. “A Câmara de Lisboa continua a triturar vereadores, Marques Mendes foge para os pescadores de Esmoriz, mas Carmona Rodrigues promete manter-se no lugar. O poder parece ter cola…”
    .
  2. “Há os que não fazem, os que fazem mal e os que não sabem o que fazem. Mas só há um que consegue juntar as três qualidades: Correia de Campos. (…)”

    Gonçalo Bordalo Pinheiro
    Sábado, “Primeiro Plano”, 01.03.2007

sexta-feira, março 02, 2007

Cuidado, que ele vem aí!

“Ele vai voltar. Nunca tivemos dúvidas, claro. Como nunca tivemos dúvidas de que Soares, o Mário, voltaria - mesmo se ele, acredita--se, acreditou que não, até lhe apetecer voltar. Como não temos dúvidas de que Santana Lopes vai, tarde ou cedo, dar mais um ar da sua (falta de) graça. (…)

Mas a direita liberal e desempoeirada sempre esteve lá, afinal. A hibernar, à espera do seu momento, da aclamação possível, do golpe oportuno. Like a virgin, agora em "moderno", em cinéfilo maneirista, um pouco mais loiro e talvez até laico-calmo, Portas regressa ao ringue. Os tempos são outros, ele também não.”

Fernanda Câncio
"Rocky Portas, a sequela, parte 4"
Diário de Notícias, 02.03.2007

quinta-feira, março 01, 2007

Olhares subliminares

Jose Goncalves
"Cadeiras Pequenas - Small Chairs"
acrylic on canvas
http://www.judirotenberg.com/images.asp?id=59&pg=8&type=1

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

O mártir

Os sonhos de juventude costumam ser empolgantes. O de Abbu era tornar-se mártir do Islão. Não foi difícil, para um universitário, acompanhar a formação em explosivos. A táctica era simples: dissimulação para entrar num autocarro carregado de inimigos e accionar o detonador, causando o maior número de baixas possível. As cargas de explosivo plástico eram acondicionadas junto ao corpo e reforçadas com esferas metálicas. Alguma coisa deve ter falhado, porque se viu rodeado de soldados que o levaram para interrogatório. Depois da sentença viu-se condenado a trinta anos de prisão e privado das prometidas trinta virgens no Paraíso.

Contos do Insólito, António Moreira, Ed. Utopia, Maio 2004

terça-feira, fevereiro 27, 2007

Teorema

Como escadas íngremes
Que se erguem sem tibiezas
Assim a memória de nós.

Espaço
Tempo


Matéria orgânica que se renova
Como sopro de vida ardente

Criação
História


Devir feito dúvida inquieta
Em teorema re-estabelecido.

(Teorema, Dezembro 2003)

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Excelências confusas…

Ontem, “Diga lá Excelência”, na RTP2, com jornalistas do Público e da Rádio Renascença.
Ou estava eu a ver mal, ou os entrevistadores estavam enganados, ou era Nuno Gaioso Ribeiro quem não sabia muito bem o que fazia ali.
No fundo, no fundo, continua a ser Lisboa quem mais vai continuando a perder e a sofrer.

sábado, fevereiro 24, 2007

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Zeca Afonso – 20 anos depois


Traz outro amigo também

Amigo
Maior que o pensamento
Por essa estrada amigo vem
Não percas tempo que o vento
É meu amigo também

Em terras
Em todas as fronteiras
Seja benvindo quem vier por bem
Se alguém houver que não queira
Trá-lo contigo também

Aqueles
Aqueles que ficaram
(Em toda a parte todo o mundo tem)
Em sonhos me visitaram
Traz outro amigo também

In: http://alfarrabio.di.uminho.pt/zeca/cancoes/57.html

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

“A História deveria ser um livro aberto de inspiração para os governantes”

“A questão da rede nacional de urgências é bem mais sensível. Como é possível convencer as pessoas a prescindirem de um serviço de primeira necessidade, em função da sua transferência para algures, a algumas dezenas de quilómetros, com o argumento de que assim serão beneficiados mais alguns milhares de portugueses? Na solidão de um gabinete de trabalho, com o mapa de Portugal à frente, a medida pode fazer todo o sentido, mas não se espere que o Portugal moderno, bem mais exigente e consciente dos seus direitos individuais e colectivos, reaja com indiferença. Porquê nós, os sacrificados?, perguntarão muitos. Não se percebe, por sinal, porque foi divulgado um plano que ainda está longe da sua versão conclusiva. Numa conjuntura de descontentamentos variados - mais ou menos aceitáveis -, o resultado não poderia ser muito diferente do que se está a assistir.”

Mário Bettencourt Resendes
Diário de Notícias, Os governos tremem nas pontes”, 22.02.2007

Dúvidas subversivas (IV)

Porque é que será que cada vez que penso na guerra instalada entre laranjas e azuis, por causa de questões de casas, me vêm à lembrança dedinhos da Tia “Paulinha”?

“Fado tropical”

Ai, esta terra ainda vai perder seu ideal
Ainda vai tornar-se um imbróglio monumental.

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

“A Quarta-Feira de Cinzas do PSD”

“São danças a mais para um líder que tem abusado dos seus dons manifestamente insuficientes de dançarino político e que, agora, depois de tanto trocar passos e tropeçar nos pés, corre o risco de estatelar-se ao comprido no salão de festas. A Quarta-Feira de Cinzas anuncia-se, assim, verdadeiramente desolada para Marques Mendes: já não é apenas a permanência de Carmona Rodrigues à frente da Câmara de Lisboa que se mostra insustentável; é o seu próprio destino como líder do PSD que se encontra cada vez mais num beco sem saída.”

Vicente Jorge Silva
Diário de Notícias, 21.02.2007

Não era brincadeira?...

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Outros olhares

Pensamentos subversivos (XV)

Quer-me cá parecer a mim que, se calhar, se o Primeiro não se puser a pau com este, ainda se arrisca a perder a dianteira da prova.

sábado, fevereiro 17, 2007

Outros olhares

Gonzalo Fuenmayor
Carnaval de la Arenosa
Collage y acuarela (18x24)
http://www.interarteonline.com/G_Fuenmayor.htm

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Pensamentos subversivos (XIV)

Há coisas que não posso dizer. Até por uma questão de reserva pessoal. Até por uma questão de princípio.

Mas lá que me está a apetecer desancar em alguém, lá isso apetece.

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Citação do dia

"A nossa inveja dura sempre mais tempo que a felicidade daqueles que invejamos"
François, Duque de La Rochefoucauld
In: www.citador.pt

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Dia de S. Valentim

Sir Edward Burne-Jones
The Mirror of Vénus
Oil on canvas
The Gulbenkian Foundation, Lisbon, Portugal
http://www.abcgallery.com/B/burne-jones/burnejones51.html


- Vens comigo?
- Vou. Fico ali em Santa Apolónia. Lá, já me consigo safar melhor.
E lá nos abalámos, no meio do trânsito que, esta manhã, até nem parecia estar muito mal.
Antes de me deixar, como se apenas nesse momento tivesse reparado:
- Ah! Hoje é dia dos namorados!!!

E soube-me mesmo bem o beijo que me deixou na despedida.
Sem dúvida, uma boa maneira de começar o dia.

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Missão (quase) cumprida

E pronto. Já está. Ontem lá fui até ao local próprio, cumprir o que, para mim, mais que um direito era um dever. E votei.

Votei convencido de que o que estava por detrás de tudo era, afinal e tão-somente, o podermos afirmar claramente o que desejamos na nossa história (existência) comum. E comum, porque diz respeito a todos. Não apenas de alguns.

Votei convencido de que o que estava no centro da questão era, afinal e tão-somente, o próprio ser humano. Com a sua dignidade e a sua razão de ser. Com a sua liberdade. Com o seu bem-estar. E de todos. Não apenas de alguns.

Ontem lá fui até ao papelinho, onde uma cruz simbolizava o querer e o desejo dos que lá quiseram estar.

E pronto. Já está. Mas ontem lá vi que mais uma vez o nosso colectivo, de colectivo apenas mostrou o desprezo de alguns pelos outros. Ontem mais uma vez o colectivo, de colectivo apenas se soube mostrar no nome. Não na essência.

Cá por mim, valeu pelo resultado. Ainda bem. Muito embora o que se passa a montante e a jusante, o ser humano ainda tem capacidade para usar a tolerância, o respeito por cada qual. Vá lá que o bom senso ainda anda por aí.

sábado, fevereiro 10, 2007

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Sombras

Link da Imagem

Está escuro lá fora. No céu, as nuvens vestiram-se de negro como a noite que se aproxima. O ar respira-se turvo, como turvo se mostra o horizonte.

Está escuro lá fora. Do lado de lá, para lá do vidro que protege os meus olhos cansados, a mesma humidade a burilar no ar que ainda respiramos.

Está escuro lá fora. Apenas a penumbra a invadir o nosso espaço, que de torpor se deixa adormecer de mansinho.

Está escuro lá fora.
Como está a ficar cá dentro.

terça-feira, fevereiro 06, 2007

Momentos

No tabuleiro que se interpunha
Entre nós
E nos unia na competição
Avancei um peão
Com movimentos lentos.
Na peça que toquei
Senti-te companheiro
De lutas imaginadas
E conseguidas.
E olhei-te matreiro
E superior.

Eu estava seguro
No meu peão escondido.

E tu abandonaste a mesa
Deixando-me solitário
De mim perdido.

sábado, fevereiro 03, 2007

Pensamentos subversivos (XII)

Quer-me cá parecer a mim que quando estes castiços ligueiros acordarem, já deveremos estar todos nós outros a dormir o sono profundo.

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Estados d'Alma

De novo aqui me questiono
De novo a dúvida
Do que sou

Que faço aqui?
Olho este papel
Amarfanhado
Onde rabiscos dançam
E me invadem a caneta

E neste gesto de desenhar
Palavras e letras e frases
Me encontro
Me descubro
Me exploro
E me inquieto

quarta-feira, janeiro 31, 2007

terça-feira, janeiro 30, 2007

As dores de Maria José

Julgavam que apenas o facto de ela ter sido escolhida para o que foi, iria logo mudar as coisas? Santa ingenuidade!...

Já agora, razão, se calhar, acaba por ter o
homem, ao dizer aos jornalistas que o esperavam para irem colocar as questões àqueles que, ali, os tinham chamado.

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Momentos

Saber pensar a palavra livre
É conhecer a Via Láctea
E percorrer o universo.

sábado, janeiro 27, 2007

sexta-feira, janeiro 26, 2007

Os amigos estão sempre presentes (mesmo que noutro lado)

Têm sido tempos difíceis os do Misantropo Enjaulado.
Nestas horas apenas podemos dar o que não se vê, o que está escondido dentro de nós.
Nestas horas apenas podemos fazer acontecer a solidariedade e a amizade. Tão simplesmente como elas são.
Embora só agora, não queria deixar de manifestar aqui, ao amigo Paulo Cunha Porto, aquele abraço fraterno, amigo e sincero, com os desejos de que o tempo possa ser o lenitivo necessário para estes momentos bem difíceis.

O Rei vai (continua) nu

Factos e datas errados nas sentenças de Torres Novas
Por volta de Agosto de 2002." É assim que o juiz Domingos Mira, que lavrou a sentença da regulação do poder paternal referente a E., inscreve "nos factos dados como provados" a "altura em que o requerido [Baltazar dos Santos Nunes] viu cientificamente comprovada a paternidade relativamente à menor". Sucede que a certificação "científica" da paternidade, efectuada por via de análises ao ADN, só teve lugar em Janeiro de 2003. Aliás, segundo o DN soube através do Instituto de Medicina Legal de Coimbra (IML), que efectuou os testes, o sangue para o efeito só foi colhido em Outubro de 2002. (…)”
Diário de Notícias, 24.01.2007

Não, não é somente o rei que vai nu. Quer-me cá parecer a mim que, afinal, somos tão-somente nós todos que, no fim de contas, vamos descompostos. E muito.

Visitas devidas

Já o devia ter feito há mais tempo. Mas como mais vale tarde que nunca, quero aqui referir que gostei de visitar este espaço. De verdade, as claras estão mesmo em castelo. Quer dizer, no ponto.
E, para repor justiça, já está mencionado em sítio próprio.