sexta-feira, janeiro 26, 2007

A Lei dos homens

Quer-me cá parecer que há gente que, no lugar do coração, apenas tem uma folha de papel – quiçá uma pedra dura – com as letras estáticas de alguns artigos que dizem ser “A Lei”.

Cá por mim, prefiro muito mais ter no peito o coração.
Um coração que bate (às vezes forte demais, até).
Um coração que treme (às vezes quase até ao limite).
Um coração que se engana (às vezes até demais, se calhar).

Mas um coração que é capaz de tentar cumprir o seu papel: sentir, ver, ouvir, compreender, ajudar, encorajar, acolher, amparar, compadecer-se, alegrar-se, entristecer-se.
E amar, claro. Sobretudo, amar.

O resto, histórias de fariseus e publicanos. Histórias, afinal e se calhar, de todos nós.

quinta-feira, janeiro 25, 2007

Estados d'Alma

Quando partir na viagem final
Quero que me façam regressar
Ao pó de onde nasci

Que as minhas partículas
Sejam derramadas sobre a terra
Que me acolheu e fez crescer

Voltarei ao ponto de partida
Em osmose cósmica
Lá é o meu lugar, ontem, hoje e amanhã

terça-feira, janeiro 23, 2007

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Abbé Pierre partiu

O homem que um dia sonhou permanecer entre os mais pequenos, os mais fracos, os mais pobres, passou hoje para além do que é passageiro.


"O Movimento Emaús nasceu na França há 50 anos e vive uma proposta de solidariedade entre os pobres. Grupos comunitários recolhem, consertam e reciclam objetos para venderem a pessoas carentes por preços simbólicos. O Movimento acredita no lema “A força da partilha”. Trata-se de uma proposta de partilha com quem está pior. “Injustiça não é desigualdade, injustiça é não partilhar” .
Um dia, o Abbé Pierre, um sacerdote francês, acolheu em sua casa George, assassino, ex-preso, que já havia tentado se suicidar, e lhe disse: "Não tenho nada para lhe oferecer. Mas você quer me ajudar na construção de casas para pessoas sem-teto?". Assim começou Emaús, um movimento agora espalhado no mundo inteiro. As Comunidades de Emaús são compostas por pobres que, através do trabalho de recuperação e reutilização daquilo que é jogado fora, ganham honestamente seu sustento e se permitem o "luxo" de ajudar quem se encontra em condições piores."
In: Origem do Movimento Emaús, Wikipédia, a enciclopédia livre
http://pt.wikipedia.org/wiki/Movimento_Ema%C3%BAs
Imagem: http://www.fondation-abbe-pierre.fr/

Avisos do meu pai

Quando fizeres
Algo de louvável
Apaga-te

É que as palmas de hoje
São as pedras
De amanhã

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Outros olhares

Francisco Zuñiga
Grupo frente al mar
1983, Bronce, IV/VI
http://www.arte-mexico.com/eguerrero/zuniga/index.htm

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Primeira e última vez que, neste “Tempo”, me vou referir à questão do referendo sobre a IVG

Por uma questão de princípio, de ética, de atitude, na questão do aborto, sou frontalmente e convictamente contra. Estou mesmo convencido que, mais que um problema, o aborto é mais uma resposta que se dá quando nos deparamos com determinadas situações de vida.

Portanto, se me perguntarem concretamente se sou a favor ou contra o aborto, a minha resposta só pode ser uma: contra. Definitivamente.

No próximo dia 11 de Fevereiro, vai referendar-se uma matéria que se tem mostrado “fracturante” na nossa sociedade. A pergunta à qual somos chamados a responder é:
Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?

Está para mim claro, o que me é pedido que responda no próximo dia 11 de Fevereiro.
- Independentemente do que têm gritado, destilado, ululado, todos aqueles que, a montante e a jusante, ainda vão pensando que somos todos uma cambada de ignorantes.
- Independentemente do que têm vociferado, blasfemado, berrado, todos aqueles que, a montante e a jusante, se julgam donos e senhores da verdade única.
- Independentemente do que têm opinado, escrito e descrito todos aqueles que, a montante e a jusante, apenas têm de sério, de justo, de honesto, a sisudez, a rigidez, que por vezes manifestam na cara.

Por isso, no dia 11 de Fevereiro, lá irei à câmara de voto que me compete, e votarei. De acordo com a minha (e apenas minha) consciência, obviamente. E de acordo com o que sou: ser humano que procura ser tolerante, e que não se julga Deus. A isso, digo sim.

O resto, hipocrisias que não ficam para a história.

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Dúvidas subversivas (III)

Contribuintes deixam de declarar 'manifestações de fortuna' no IRS
Diário de Notícias, 17.01.2007

Será que nesta paróquia já não existem fortunas?
Então para que prega Frei José?

Será que hoje acordei nesta “Terra”?

Bush diz que execução de Saddam aparentou ser um "acto de vingança"
Público, 17.01.2007

terça-feira, janeiro 16, 2007

Bem prega Frei José (que está tudo a caminho do céu)

Segundo o Público de hoje, “metade dos trabalhadores por conta de outrem perdeu poder de compra em 2006”. Se for esta a retoma da nossa economia, bem pode Frei José limpar as mãos ao hábito.

Mas já agora, e segundo o mesmo diário, algumas curiosidades chamam a atenção:

* “(…) permite verificar que estes aumentos [salariais] foram inferiores à subida dos preços para mais de dois milhões de trabalhadores por conta de outrem. Estão nesta situação mais de 730 mil funcionários públicos, mas também mais de 1.300.000 empregados do sector privado.”

* “Na função pública, os aumentos salariais em 2006 não ultrapassaram 1,5 por cento; no sector privado, os dados conhecidos (…), mostram que os aumentos médios implícitos nos contratos que entraram em vigor até Setembro tinham subjacente um aumento salarial médio de 2,8 por cento.”

* “Esta situação deverá manter-se em 2007, pelo menos para a função pública, já que o aumento salarial estipulado unilateralmente pelo Governo volta a não ir além dos 1,5 por cento. [Mas este aumento ficará, afinal, em apenas 1 por cento, dado o aumento do desconto para a ADSE, em 0,5 por cento] (…) Na sua proposta de Orçamento do Estado para o corrente ano, o Governo prevê que os preços, em média, não subam mais do que 2,1 por cento.”


O que vale é que, no fim de contas a culpa vai continuar a ser do pobre funcionário público – não dos que, permanentemente, são nomeados (e continuam a ser, podem crer) para os inúmeros cargos que, se não existem, vão sendo paulatinamente criados.

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Grandes Portugueses

Para mim, não consigo perceber como é que se escolhe apenas uma personalidade para distinguir o que terá sido o “maior”, o “Grande Português”. Quer-me cá parecer a mim, que o que se poderia, e deveria, fazer era escolher, não um, mas algumas personalidades que representassem o melhor que existe no nosso colectivo comum. Era, pelo menos, mais justo. E de muito mais bom senso. É que a vida, já agora, não é feita apenas de ‘sim’ e ‘não’. Há, indubitavelmente, uma imensidão de ‘talvez’ que também marca a nossa existência.

Mas, já agora, que vem a ‘talhe de foice’, e depois de ver os seleccionados pela RTP, não resisto a alguns pensamentos, sobre algumas dessas figuras:

Álvaro Cunhal: Quase sempre em desacordo com ele. No que diz respeito ao conceito de democracia, ele estava quase sempre dum lado do rio e eu do outro. Respeito-lhe, no entanto, o sacerdócio.

Aristides Sousa Mendes: Por ter feito o que fez, está, com toda a certeza, já, no seio do Inefável.

D. Afonso Henriques: Ao saber-se de quem descendia (a ser verdade o que dizem), soube cumprir o papel que lhe estava destinado.

D. João II: Não foi por acaso que lhe deram o cognome de “Príncipe Perfeito”. Por todas as razões e mais algumas. Desde logo, por já saber que deveria ir para lá do mar, ter com os que já lá estavam.

Salazar: Calo-me. Até por respeito por mim próprio.

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Outros olhares

Nos tempos que correm, quem nos avisa…


Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei

Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.

Bertold Brecht

quinta-feira, janeiro 11, 2007

Canto e descanto

Amanhã eu canto.
Hoje descanto.

Do desencanto
Refugio-me no canto
Da sala já cantada
Das notas do canto.

Hoje não canto.
Amanhã o encanto
Do querer feito canto.

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Dúvidas subversivas (II)

Se não se deve punir um crime com outro, será que aqueles que executam outros, condenados a penas de morte, serão, afinal, também criminosos?

Os meus astros

Imagem: http://astrologia.com.sapo.pt/

Para o signo "Virgem":
"O ano de 2007 vaio ser dedicado à pesquisa. Mais especificamente, a pesquisar onde deixou as chaves do carro, o telemóvel, o carro, o namorado/a, a casa, o emprego. Só não vai perder a cabeça porque está bem atarrachada, felizmente."
In Metro, 08.01.2007

terça-feira, janeiro 09, 2007

Reconhecimento a quem merece

Imagem: http://www.nemzetisport.hu/cikk.php?cikk=119821
Francis Obikwelu eleito atleta europeu do ano
Público, 09.01.2007

Ontem e hoje: o mesmo olhar sobre nós próprios

“A liberdade assusta. O mundo quer ser enganado, e os homens gostam dos seus grilhões e não têm vontade nenhuma de assumir as suas responsabilidades. Mais vale acusar os governantes e promover revoltas que não hão-de mudar coisa alguma.”
Mozart – O Irmão do Fogo
Christian Jacq
Bertrand Editora, 2006

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Ainda tem havido coisas boas na TV [Será que “eles” sabem?]

Imagem: http://www.telesimo.it/telefilminbreve/house.htm

Só espero que a TVI nos traga, parece que lá para Abril, a nova série (a terceira) em horário mais compatível com a sua qualidade.

Dúvidas subversivas

Porque é que a prioridade da PSP (ou da PM, ou doutra entidade qualquer) nas questões de trânsito não tem mais a ver com aqueles que estão, de facto, a lesar, a prejudicar o normal escoamento do trânsito, principalmente nas horas consideradas “de ponta”, do que em apenas “ganhar” mais uns “cobrezitos” (como se costuma dizer, “caça às multas”)?

sábado, janeiro 06, 2007

Outros olhares

Manuel Alvarez Bravo
Espejo negro
8 x 10", Plata / gelatina, 1942
http://www.arte-mexico.com/juanmartin/alvarezbravo/

sexta-feira, janeiro 05, 2007

Eu governo, tu tentas, ele fica-se

Depois disto, vou ficar à espera [mas descansem, que já me sentei] do que vai fazer, dizer, assinar despachos, apregoar, afirmar, teimar, pressionar – enfim, actuar – o ilustríssimo, iluminado e preclaro Secretário de Estado do Desporto, em relação a coisas [bem menos importantes, pensa-se] como, por exemplo, o "Apito Dourado".

A Comédia (divina) de Dante

Imagem: http://www.stelle.com.br/pt/inferno/dore6.html


“Toda a malícia, abominada pelo Céu,
é sempre uma injúria, e toda a injúria
ou por força ou por fraude lesa outrem.”

Canto Décimo Primeiro
(Continuação do Sexto Círculo: Heréticos)

Pensamentos subversivos (XI)

Tomaram-lhe o gosto

quinta-feira, janeiro 04, 2007

Outros olhares

Diego Isaias Hernandez
Pueblo Invitado (Invited Town)
Oil on canvas. 2005
http://www.artemaya.com/galisa.html

Pensamentos subversivos (X)

Já agora, sempre gostaria de saber qual foi (ou, eventualmente, qual será) o aumento das portagens das pontes que existem na cidade do Porto.
[A saber: Ponte Luís I, Ponte da Arrábida, Ponte do Freixo, Ponte Infante D. Henrique. Não conta, por motivos óbvios, a Ponte S. João (Ferroviária), que substituiu a velhinha Ponte Maria Pia.]

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Lá que cheira a esturro, lá isso cheira

Gerald "Wash" Washington, de 57 anos, o primeiro presidente de Câmara negro eleito para uma cidade do Luisiana por uma ampla maioria de população branca, suicidou-se este fim-de-semana, em vésperas de tomar posse.
Correio da Manhã, 03.01.2007

Não há dúvida que o homem começou bem

O novo secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, começou o seu mandato de forma controversa, ao não condenar o enforcamento de Saddam Hussein. Esta postura representa um corte com a habitual posição das Nações Unidas em relação à pena capital.
Público, 03.01.2007

Recomeços

Cada dia que passa
Descubro que sou capaz
De falhar ainda mais

Mas também em cada dia
Descubro em mim a força
De recomeçar de novo

domingo, dezembro 31, 2006

Ele aí está

Carmen Herrera
Nacimiento
Oleo (36x50)
http://www.interarteonline.com/Carmen_Herrera.htm#

Que o Novo que aí vem, traga consigo a novidade maior que todos desejamos.
Tudo de bom para todos quantos tiveram e têm a amabilidade e a simpatia de aqui terem vindo.
Que 2007 nos seja, a todos, muito benéfico.

sábado, dezembro 30, 2006

Nova imagem, em final de ano

Nova imagem deste Tempo. O mesmo ser, no entanto.
Porque o tempo é de novo. Pelo menos nos dias a contar.
[Afinal, e apenas tão-somente, aproveitando os novos "conselhos" do "hospedeiro" deste espaço.]

Faltava tão pouco para o humanismo chegar neste final de ano

Tristes os seres humanos que se comprazem [que festejam, quiçá] com a morte como arma para fazerem vingar as suas ideias, as suas maneiras de pensar a vida e o mundo que os rodeia. Mesmo se para vingarem a sua honra perdida. Mesmo se para vingarem o mal praticado.

Estaremos, afinal, num tempo e numa história de deuses (embora mortais)?

sexta-feira, dezembro 29, 2006

Pensamentos subversivos (IX)

Alguém acreditará que, se o jogador Pepe fosse de um qualquer outro (mas outro qualquer, mesmo) clube português – que não o FCP – estaríamos hoje (quando ainda não é, que se saiba, cidadão português) a ver esta telenovela sobre a sua chamada ou não à Selecção Nacional de Futebol?

quinta-feira, dezembro 28, 2006

Não deixa de ser uma bonita história de Natal

Jovem dá à luz em comboio Lisboa-Porto
O revisor e os funcionários da carruagem-bar do comboio Intercidades número 521, que faz a ligação entre Lisboa e o Porto, com partida diária de Santa Apolónia às 8.55, viveram ontem momentos únicos de ansiedade, mas também de alegria, quando uma passageira deu à luz uma menina em plena viagem. (…)”
Diário de Notícias, 28.12.2006

Pensamentos subversivos (VIII)

Hoje digo o que ontem não podia dizer

quarta-feira, dezembro 27, 2006

É verdade, estamos [continuamos] no Natal

Deste-me a mão
E disseste que me levavas
No passeio que eu inventara

Deste-me a mão
E disseste a palavra
Que eu tinha escrito em mim

E eu olhei-te
E sorri
E agradeci-te
No silêncio de mim

segunda-feira, dezembro 25, 2006

É verdade, estamos no Natal. (PRESÉPIOS)


Não o tendo feito de outra forma, aproveito este ensejo para desejar a todos os que aqui vêm, nomeadamente aos caros amigos Armando S. Sousa e Paulo Cunha Porto, um óptimo, grande e Feliz Natal. Que o espírito do Presépio, seja ele qual for para cada um de nós, possa inundar os corações com o calor da amizade e da fraternidade.

sexta-feira, dezembro 22, 2006

Mais uma viagem, Senhores, mais uma viagem

É entrar, que o carrossel vai andar!

Já agora, uma história de Natal

«(…) "Uma rapariga de 21 anos subiu ao telhado do edifício da câmara da cidade alemã de Lorrach, com a intenção de pôr termo à vida. Uma multidão de mirones juntou-se na praça e uma parte dos presentes, na sua maioria entre os 16 e os 19 anos, encorajaram a jovem a saltar (!) [o ponto de exclamação é da responsabilidade do autor deste texto]. Alguns sem-abrigo, que habitualmente ocupam o lugar, protestaram. Os ânimos aqueceram e em pouco tempo havia mais de 40 pessoas envolvidas em confrontos. A polícia teve de intervir para separar os dois grupos e seis agentes ficaram ligeiramente feridos. A jovem acabou por descer e foi conduzida a uma clínica da região." (…)»
Mário Bettencourt Resendes
“O exemplo dos sem-abrigo de Lorrach”
Público, 21.12.2006

quinta-feira, dezembro 21, 2006

[E porque não?] Um Poema de Natal


MENINO JESUS

Tuas mãos tudo partilham
do Todo que nos trouxeste.
Teus olhos, felizes, brilham
pelo “Sim” que ao Pai disseste.

Simples, meigo, despojado
para vestir nossa veste,
Tu és o Deus humanado
que nosso Irmão te fizeste.

Jesus Menino em Belém,
em Nazaré Tu cresceste;
homem, em Jerusalém
morte injusta padeceste.

Salvador de todo o povo
sem distinção, que nos deste
a esperança de um Mundo Novo,
bem-vindo porque vieste!

LOPES MORGADO
(Inspirado na imagem do Menino, feita pelas Irmãzinhas de Jesus)

quarta-feira, dezembro 20, 2006

Prendas de Natal

Às vezes a vida tem destas coisas. Esta viúva de Viana do Castelo recebeu este ano uma prenda diferente no seu sapatinho.

Já agora gostaria de saber que prenda mereceriam receber, também nos seus sapatinhos, aqueles que não foram capazes de “ter olhos para ver”, ter “ouvidos para ouvir”, “boca para falar”. E, já agora, “mãos para actuar”. E rapidamente, convinha mesmo.

É verdade, estamos no Natal

Que um sorriso
Seja a tua arma

Que uma palavra de amor
Seja a tua resposta

Que um gesto de paz
Seja o teu comunicar

Que no teu coração
Floresçam jardins de fraternidade

segunda-feira, dezembro 18, 2006

Já agora, um bom conto de Natal

“Zacarias quase deslocou o ombro, empurrado pelas escadas do Templo no meio do tumulto. Além de arruinado, quando todas as suas pombas voaram para longe, fora espezinhado. Tudo isto por causa da fúria daquele estranho Nazareno, que espantara animais, derrubara mesas e espalhara o dinheiro. O vendedor de pombas até simpatizava com Ele, mas agora ficou furioso. (…)”
João César das Neves
Diário de Notícias, Opinião, 18.12.2006

O "ano da Besta"

O homem até acaba por ter razão: continua a dizer que é o Primeiro lá do burgo.

No presente caso, para os outros, é claro.

“Gloria in excelsis deo. Et in terra pax hominibus bonæ voluntatis.”

Apesar das festas que se adivinham e manifestam
Apesar das iluminações que decoram muitas das nossas ruas
Apesar do marketing e das campanhas promocionais
Apesar de todas as “Floribelas” do nosso burgo
Apesar de todos os “Morangos” mais ou menos açucarados
Apesar do maior “bacoquismo” da Europa no Terreiro do Paço
Apesar das muitas festas e eventos de solidariedade

Creio bem que, afinal, até é capaz de haver mesmo NATAL.

sexta-feira, dezembro 15, 2006

A Comédia (divina) de Dante

“Se bem entendo, parece que conheceis o futuro,
o que o tempo traz consigo talvez,
e não enxergais, não vedes o presente.”

Canto Décimo
(Continuação do Sexto Círculo do Inferno)

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Nos meus, ninguém toca!

Pronto. Estamos devidamente esclarecidos. E, por isso mesmo, tranquilíssimos.

"Da iniciativa do Conselho de Deontologia do Porto da Ordem dos Advogados (OA) não será instaurado qualquer processo disciplinar ao advogado Lourenço Pinto." António Salazar não podia ser mais claro. Para este advogado, presidente do Conselho de Deontologia do Porto, o comentário que Lourenço Pinto dirigiu a Carolina Salgado, ex-companheira de Pinto da Costa, a respeito da agressão ao antigo vereador da Câmara de Gondomar Ricardo Bexiga, não é razão suficiente para que se avance com um processo contra o causídico do Porto. E António Salazar assumiu esta posição ao DN mesmo sabendo que o bastonário da Ordem dos Advogados (OA), Rogério Alves, já tinha afirmado publicamente que a questão vai ser analisada, no sentido de se apurar se há ou não fundamento para um processo disciplinar.”
Diário de Notícias, 13.12.2006

Inquietações (6)

É preciso acreditar
Mesmo se nos pedem
A incredulidade

A vida sem aventura
É como um deserto
Sem oásis

(Lisboa, 20 de Junho de 1983)

terça-feira, dezembro 12, 2006

Sem comentários...

“As fugas de informação, vindas da Polícia Judiciária do Porto, são exemplo de que não se pode confiar em ninguém, segundo fonte ligada ao processo, admitindo-se que a investigação passe da PJ do Porto para a Direcção Central de Combate ao Banditismo (DCCB), a unidade de elite da Polícia Judiciária, porque santos da casa (Directoria do Porto) não fazem milagres, segundo pessoas próximas da condução deste processo.”
Correio da Manhã, 12.12.2006

[Adenda]

«(…) Mas seria também muito bom que o Ministério Público se interessasse pelo episódio da agressão de contornos mafiosos ao ex-vereador Ricardo Bexiga. A confirmar-se a versão de Carolina Salgado, fortemente indiciada por co-autoria a partir das suas próprias palavras, não estamos perante um mero caso de ofensas corporais. (…)
Poderemos estar aqui perante um caso que verdadeiramente interpela o Estado de direito, muito mais do que o próprio "Apito Dourado".
Não há outra conclusão possível quando a um advogado (onde anda a Ordem?) é imputada uma frase como a que está no livro – "Parabéns, minha querida, mas ele [Ricardo Bexiga] ficou a falar".»
Eduardo Dâmaso
Diário de Notícias, Editorial, 12.12.2006

Hoje digo o que ontem não podia dizer

segunda-feira, dezembro 11, 2006

De facto, já pouco há que nos surpreenda

Depois disto, já só faltará que o Governo crie uma empresa para governar o país.

Até quanto aos poderosos Orwell acabou por ter razão

Também aqui se viu que há animais mais iguais que outros animais.
(Ou deveria dizer que há animais mais animais que outros animais?)

sábado, dezembro 09, 2006

Leituras de Fim-de-Semana

A Comédia (divina) de Dante

“E Virgílio respondeu-me: «Aqui estão as heresiarcas
com os sectários, de todas as seitas:
e as tumbas estão muito mais cheias do que pensas.

Aqui igual com igual é sepultado,
e os sepulcros são mais ou menos ardentes.»
Depois, voltando à mão direita,

passámos entre as tumbas incandescentes e os altos muros.”

Canto Nono
(À porta da cidade de Dite)

sexta-feira, dezembro 08, 2006

Pensamentos subversivos (VII)

Açores e Madeira com salário mínimo superior ao do continente.
Funcionários Públicos com subsídio de insularidade, que, no Porto Santo, equivale a 30% do vencimento.
Público, 07.12.2006 (Sem link, obviamente)

Já agora, porque é que os portugueses que residem, por exemplo, em Bragança, Vila Real, Vilar Formoso, Elvas ou Vila Real de Santo António, não têm igualmente um subsídio, que no caso se poderia chamar de “interioridade”?

quinta-feira, dezembro 07, 2006

É pá, a malta também se enganou!

Razões que a razão desconhece

Tem razão o Miguel Abrantes (Câmara Corporativa). Que vem lembrar que tem razão o João Pulo Guerra (Diário Económico).
De facto, na Lápide, deveria estar também: “O Tribunal não actuava com independência, aceitava e cobria as torturas e ilegalidades cometidas pela PIDE/ DGS, limitava-se, salvo excepção, a repetir a sentença que a polícia política já tinha definido”.
Pelo menos, era muito mais honesto.

Pensamentos subversivos (VI)

Temos a televisão que a nossa gente quer. Temos a gente que a nossa televisão quer.
Mas não me digam que a D. Alzira, minha vizinha, obstinada assistente das permanentes telenovelas que nos assolam o ar “televiseiro”, tem o mesmo grau de culpa no cartório que os responsáveis das nossas televisões.

quarta-feira, dezembro 06, 2006

Esperamos que não tão seriamente como estudou a “ida” para o Iraque

Dá que pensar! (Se é que ainda somos capazes de pensar…)

Um estudo das Nações Unidas divulgado ontem em Helsínquia revela que continuam a aumentar as desigualdades na distribuição da riqueza mundial. De acordo com as conclusões do relatório realizado pelo Instituto Mundial para a Investigação do Desenvolvimento Económico da Universidade das Nações Unidas, dois por cento das pessoas mais ricas do planeta possuem mais de metade da riqueza disponível.
Baseando-se em dados de 2000, o estudo mostra que um por cento dos adultos mais ricos é dono de 40 por cento da riqueza, sendo que dez por cento dos mais abastados possuem 85 por cento da riqueza disponível. Por sua vez, metade da população adulta mundial detém apenas um por cento da riqueza total do planeta, o que prova bem as desigualdades existentes entre os mais ricos e os mais pobres. (…)”

Correio da Manhã, 06.12.2006

terça-feira, dezembro 05, 2006

Mas então o que é que os homens têm andado a fazer todo este tempo?...

“O líder do PSD, Marques Mendes, e Marcelo Rebelo de Sousa defenderam hoje a realização de um julgamento sobre Camarate, considerando ser uma "vergonha para a democracia" continuar por esclarecer a queda do avião que matou Sá Carneiro.”
Público, 05.12.2006

segunda-feira, dezembro 04, 2006

E disto, ninguém fala?

“A existência de restaurantes de fast food nos hospitais pediátricos americanos encoraja as famílias a ingerirem esses alimentos e a acreditarem que esse tipo de alimentação é relativamente saudável. É o que diz um estudo coordenado por Hannah Sahud, pediatra do Allegheny General Hospital, de Pittsburgh.(…)
«Estamos a veicular duas mensagens diferentes ao trabalharmos nos cuidados de saúde e promovermos a saúde dizendo que a obesidade é um grave problema médico, mas ao mesmo tempo encorajando-a implicitamente», disse Hannah Sahud à A.P.”
Público, “Um Terço dos hospitais pediátricos dos EUA tem fast food”, 04.11.2006 (Sem link)

Pensamentos subversivos (V)

Porque é que não existe para com Saddam Hussein, da parte de tantos “justiceiros” e de “pessoas de bem”, a mesma “consideração” e “respeito” que se tem vindo a manifestar, por exemplo, para com Augusto Pinochet?

Encontros

Amo a terra criada
Do meu ser feito vida
E vivo a terra que crio
Com o amor que em mim nasceu

Sou filho do amor criador
E da terra que o acolheu

Vivo a terra que amo
E amo o amor que me fez nascer

(Lisboa, 17 de Janeiro de 1983)

quarta-feira, novembro 29, 2006

Encontros

A vida por vezes não nos deixa esquecer que o mais importante na nossa caminhada colectiva é descobrir que, afinal, viver mais não é que percorrer uma estrada em conjunto com outros. Que nos são iguais, porque igualmente caminhantes na aventura do tempo.

Foi o que me ajudou a descobrir o meu amigo F.R., professor, de escola noutros tempos, e de vida nos dias de hoje.

A vida, afinal, é tão-somente isto: sabermos partilhar os momentos de encontro, como sabemos partilhar uma bica e uma mesa de um qualquer “café” da nossa cidade.

Há viagens que dão que pensar...

Frei Carlos
(activo entre 1517-1539)
O Bom Pastor
c. 1520, óleo sobre madeira
Museu Nacional de Arte Antiga
Lisboa, Portugal
http://www.uc.pt/artes/6spp/f2.html

terça-feira, novembro 28, 2006

Mesmo que tenha dito que não: Fico!

Muita gente tem vindo a público debitar ideias e opiniões sobre a questão da substituição de deputados levada a efeito pelo PCP. Terão todos muita razão.

Vamos lá a ver se nos entendemos! Cá para mim, que não percebo nada da coisa, achei curioso o seguinte: É prática habitual no PCP (não sei se noutros lados tal se pratica) os candidatos a deputado assinarem uma declaração de renúncia ao seu mandato, caso o Partido assim o entenda. Foi esse, naturalmente, o caso da ilustre deputada que ora se recusa a sair. Porque, como a grande parte dos entendidos diz, tal documento não é legal, porque vai contra a Constituição e a Lei geral. Mais uma vez, terão todos muita razão.

Mas que diabo, então nada a dizer de alguém que assina um documento, na presunção de que não o vai cumprir. Mas c’um raio: Então a assinatura de uma pessoa já não tem valor nenhum? A palavra dada já não é um valor? E nem me meto já por outros caminhos, como honra, valores, ética, etc..

Para que não restem dúvidas, por mim, estou radicalmente contra esta prática do PCP. Por uma questão de valores. Obviamente.

“A Marca Marvila”

Há coisas que vale a pena fazer. Há alturas em que também é importante dizermos bem de alguma coisa. Nem tudo é mau à nossa volta, felizmente. E quando o que se realiza é pioneiro, então, vale duplamente a pena. Está, neste caso, de parabéns a Junta de Freguesia de Marvila, aqui em Lisboa, pela organização do seu 1º Congresso, realizado no passado dia 25 de Novembro (boa comemoração), no Auditório do ISEL, e subordinado ao tema “A Marca Marvila”.

Já agora, um breve apontamento, apenas para referir um inquérito que a referida Junta de Freguesia levou a efeito, elaborado por uma entidade idónea.

Realçam-se apenas aqui alguns dos dados apurados:

– À pergunta ”Gosta de viver em Marvila”, 84% afirmam que sim.
– À pergunta “Porque vive em Marvila”, 24% afirmam que o fazem por opção pessoal.
– Quando se coloca a pergunta “A que conceito melhor associa Marvila”, 22% dos inquiridos referiu a Marcha Popular (41% no caso dos não residentes).

Cá por mim, morador em Marvila, fico contente pela minha Freguesia. E, por isto felicito os responsáveis da Junta de Freguesia de Marvila por terem criado esta oportunidade de debate e de reflexão sobre o meio onde vivemos.

Que não caia em “saco roto” o que aqui se reflectiu.

segunda-feira, novembro 27, 2006

Pensamentos subversivos (IV)

Que bom que é andarmos todos a assobiar para o lado…
Afinal de contas, Lisboa continua tranquilamente adormecida
.

Inquietações

Sempre que quiserem que eu seja
Saibam que posso chegar
O meu tempo de ser é sempre o tempo
De aprender e descobrir o chegar e partir

Sempre que quiserem que eu permaneça
Saibam que eu posso partir

sexta-feira, novembro 24, 2006

quinta-feira, novembro 23, 2006

A Comédia (divina) de Dante


“Quantos no mundo são considerados grandes reis,
que permanecerão aqui como porcos na lama,
deixando no mundo memórias abjectas!”

Canto Oitavo
(Ainda o Quinto Círculo do Inferno)

quarta-feira, novembro 22, 2006

Pensamentos subversivos (III)

São «tropas», Senhor; são «tropas»!”

O que faz falta é falar dele

Até porque assim outras coisas – essas mesmo importantes, porque connosco têm mesmo a ver – ficam no limbo da nossa existência.

Como diz Pedro Rolo Duarte, hoje, no seu artigo de Opinião no
DN: “Pedro Santana Lopes está para o jornalismo político como Elsa Raposo está para as revistas sociais: a todos serve o mesmo prato, e todos se servem do mesmo prato. No fim, os consumidores aplaudem. Mesmo quando as três partes sabem que há algo de podre nesta relação ocasional, feita de traições, conspirações, romances e muita areia atirada para os olhos de todos. Mas o povo gosta - e isso é que interessa, não é?”

O que faz falta é “deficetizar” a malta

Bom trabalho Senhor Campos. Estamos mesmo a poupar.

terça-feira, novembro 21, 2006

Inquietudes

Porque é que será que um dia vem sempre atrás de outro dia e que depois de chegar um dia apenas nos lembramos de que algures no tempo e no espaço um dia fomos apenas?

segunda-feira, novembro 20, 2006

Viagens...

Quando parto – quando me parto –
É comigo que fica sempre a voz
De quem me falou palavras amigas.
Quando parto, parto. Parto e chego.

(Lisboa, 7 de Janeiro de 1983)

sexta-feira, novembro 17, 2006

Pensamentos subversivos (II)

Só estou à espera da reacção de Marques Mendes, depois da entrevista do Presidente da República à SIC.

E, já agora, não se poderia colocar o homem também “entre parêntesis”?

“Santana diz continuar sem perceber por que dissolveu Sampaio a Assembleia, quando lhe disse sempre que não o faria, mesmo na véspera de tomar essa decisão. Ontem, acrescentou que Sampaio queria que Cavaco ganhasse as eleições. Porque se fosse Mário Soares a ganhar, o ex-Presidente ficaria aos olhos dos portugueses como "um entre parêntesis" da presidência.”
Santana Lopes, Entrevista à RTP1
Público, 17.11.2006

quinta-feira, novembro 16, 2006

A Comédia (divina) de Dante


“Os choques, entre os dois grupos, sempre eternos
serão: os avaros sairão do sepulcro com o punho
fechado, e os pródigos sem cabelo.

Mal dar e mal conservar privou-os
do Paraíso e colocou-os nesta luta:
qual ela seja, tu a vês.”

Canto Sétimo
(Quarto e Quinto Círculos do Inferno)

quarta-feira, novembro 15, 2006

Pensamentos subversivos

Que bom seria se o governo fosse tão actuante, tão rígido, tão exigente, tão justo connosco todos, os humildes e normais cidadãos desta terra, quanto o é com o sector da banca, por exemplo.

terça-feira, novembro 14, 2006

Dúvidas

Aqui me questiono
Em dúvidas permanentes

Há muito que me habituei
A viver com a própria dúvida

E questionando-me
Fui descobrindo em cada dia
Mais um pouco do pouco que sou

(Lisboa, 25 de Outubro de 1983)

Pior que não ver, é não querer ver

“Os funcionários públicos são mais mal pagos do que os trabalhadores das grandes empresas portuguesas. Esta conclusão – que vai contra o senso comum e um estudo publicado pelo Banco de Portugal – consta de um relatório encomendado pelo Governo à consultora Cap Gemini e cujos resultados foram parcialmente divulgados ontem pelo Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado. (…)”
Diário de Notícias, Caderno Economia, 10 de Novembro de 2006
(Sem Link, claro)

segunda-feira, novembro 13, 2006

Como é que disse?

“Viva o SNS (Serviço Nacional de Saúde)!”
Correia de Campos, Ministro da Saúde
Congresso do PS, Santarém

sábado, novembro 11, 2006

Leituras de fim-de-semana

"Eu fui à Madeira para defender a autonomia regional. Já o senhor não foi a Felgueiras há um ano, nem teve uma palavra. E enquanto nada disser sobre o assunto, em matéria de credibilidade política estamos conversados."
Marques Mendes, em resposta ao Primeiro-Ministro, noi debate do OE 2007
Expresso, 11.11.2006

Cá me queria parecer que, de facto, estamos mesmo conversados. Comparar a Madeira a Felgueiras, colocar no mesmo saco o homem da ilha e a senhora de Felgueiras... Só mesmo porque iguais. E viva a credibilização!

sexta-feira, novembro 10, 2006

Convicções

Mesmo que te digam
Para desistir
Lembra-te que o dia
Não acabou ainda

É que o Sol
Surge sempre
Quando a noite adormece

(Lisboa, 26 de Dezembro de 1982)

quinta-feira, novembro 09, 2006

De greve!

Aderi à greve da Função Pública. Estou, portanto, hoje e amanhã, de greve. Por uma questão de convicção, de coerência, de honra e de dignidade.

Deixemo-nos de coisas. Podendo, eventualmente, estar de acordo com alguns aspectos da actual governação, podendo ser sensível a alguns dos motivos que estão por detrás da actuação do Governo de José Sócrates, não posso, por isso mesmo, e de igual modo, esquecer uma questão de primordial importância – pelo menos para mim – que é a de que não devem ser sempre os mais pequenos a suportar, pelo menos em primeira instância, todos os custos das crises que, ciclicamente, vão surgindo nas sociedades. E que me desculpem lá mais uma vez, mas começa a ser tempo de mudar as agulhas: a culpa não pode ser sempre dos mesmos.

quarta-feira, novembro 08, 2006

Bem dito

“O primeiro país europeu que aboliu a pena capital não tinha nada para dizer, através do primeiro-ministro ou do ministro dos Negócios Estrangeiros, quando a União Europeia se demarcou da condenação à morte de Saddam Hussein. Mas não será que esse silêncio, essa ausência, reflectem também a falta de substrato e espessura, em matéria de princípios ou valores, que hoje constatamos noutras áreas da governação? E que significará o elogio de Sócrates ao modelo americano de direitos humanos no momento preciso em que os atentados a esses direitos pela Administração Bush são verberados tão intensamente fora e dentro dos Estados Unidos?”
Vicente Jorge Silva
“Pena de morte: uma herança silenciada
Diário de Notícias, 08.11.2006

A Comédia (divina) de Dante


“A facção negra longo tempo se alçará no mando,
vexando a facção branca sob grave peso,
sem levar em conta suas queixas e ameaças.

Existem lá dois justos, mas não são ouvidos;
a soberba, a inveja e a avareza são
as três faíscas, que incendeiam os corações.”

Canto Sexto
(Terceiro Círculo do Inferno)

terça-feira, novembro 07, 2006

Condenação justa! Pena justa?

Saddam Hussein foi acusado. Foi julgado. Foi condenado. É o corolário lógico, racional e justo de quem cometeu os crimes de que foi acusado. Mesmo considerando eu que o julgamento deveria ter sido antes efectuado num Tribunal Internacional. Porque Saddam Hussein cometeu todos esses crimes. É público, está confirmado. Neste caso, ninguém pode dizer que duvida.

Saddam Hussein foi condenado à morte, por enforcamento. Aqui, se me permitem, estou profundamente em desacordo.

Como já o afirmei antes,
aqui, aqui, aqui e aqui, sobre a pena de morte, tenho uma atitude de franca, decidida e sincera discordância. Sobre a Morte, a minha atitude é radicalmente contra a sua utilização como arma para atingir um qualquer objectivo. É uma questão de convicção ética e moral.

E sobre esta questão, a Pena de Morte, volto a lembrar aqui (nunca é demais dizê-lo) o que afirma a
Amnistia Internacional: A pena de morte é a punição mais cruel, desumana e degradante. Viola o direito à vida. É irreversível e pode ser infligida a inocentes. Nunca se provou que fosse capaz de diminuir o crime mais eficazmente do que outras formas de punição.

Já agora, duas reacções gostaria de referir aqui:

Por um lado, a reacção do Presidente da República,
Cavaco Silva, ao manifestar-se contra a condenação à morte de Saddam Hussein. Mesmo considerando que "todos temos conhecimento dos crimes e atrocidades praticadas por esse ditador e foi bom que o novo regime iraquiano tivesse levado até ao fim o julgamento". E disse-o claramente: "Pessoalmente, também sou contra a pena de morte e identifico-me plenamente com a declaração comum da União Europeia em que se apela para que a pena de morte a Saddam Hussein não seja executada".

Por outro lado, a atitude (reacção de regozijo soberbo) de
George W. Bush foi, para não dizer outra coisa, uma piada de muito mau gosto. Até porque, se não me engano, alguns desses crimes terão sido cometidos há uns anos atrás, época essa na qual o ditador era até um dos grandes amigos da então administração americana.

segunda-feira, novembro 06, 2006

Chove

Chove
Sei que chove porque vejo
As gotas da chuva no vidro da janela
Do meu quarto

Chove
Sei que chove porque oiço
O ruído dos pingos no metal da janela
Do meu quarto

E a água que cai
Não vem apenas alimentar
As terras áridas de secas mortais
Nem apenas lavar as ruas e os caminhos
Da cidade que me envolve

Chove
E a chuva que vai caindo
Vai lavando também os meus olhos
Tão cansados da nostalgia
Do tempo que se escoa inexorável

Clareza sem sofismas

Não gosto desta América. Mas não sou anti-americano. Talvez até antes pelo contrário. Como, aliás, há uns tempos, havia quem não gostasse do nosso Portugal, mas não fosse anti-português.

Por isso, vale a pena ler o que Miguel Sousa Tavares escreveu no Expresso desta semana, no seu “God Bless américa”.

Não resisto a deixar aqui o parágrafo final do seu texto:

“Esta semana Bush vai a julgamento nas eleições legislativas americanas. Será uma ocasião decisiva para perceber se os americanos já realizaram finalmente os danos causados por este Presidente, que representa o que de pior e mais obscuro a América tem. Já vai sendo tempo de os Estados Unidos se reconciliarem com o mundo e nós com eles.”

domingo, novembro 05, 2006

Leituras de fim-de-semana

  1. Mas o que é que deu a Marques Mendes para se sujeitar a estas situações (na Madeira)? É que da parte do Senhor da Ilha só pode vir o que vem. Quer-me cá parecer a mim que, de facto, quem já é pequeno, se não está atento, mais pequeno ainda fica.
    E depois não se admire se, de novo, o proibirem de lá voltar.
  2. "Questões de segurança" levaram o PCP a não revelar, para já, o local da reunião das organizações comunistas e operárias de todo o mundo?
    Ou questões de segredo para não se revelar quem cá virá?
  3. O General e ex-Presidente da República, Eanes vai defender a sua tese de doutoramento, este mês de Novembro, numa Universidade de Espanha. E qual vai ser essa Universidade? Vem no Expresso desta semana.
    De facto, grande "Obra"!

sexta-feira, novembro 03, 2006

Visitas a registar

Já andava há algum tempo para saudar aqui um espaço que me vai dando algum prazer em visitar. Ao meu amigo AR, da Quinta Coluna, um grande e fraterno abraço.

Saber pensar a palavra livre
É conhecer a Via Láctea
E percorrer o universo.

(Lisboa, 24 de Outubro de 1983)

quinta-feira, novembro 02, 2006

As “cenas” do nosso quotidiano

Estou mesmo curioso em saber o que isto vai dar. Pelo andar da carruagem, pela qualidade dos “intérpretes”, ainda se arrisca esta “peça” em ser considerada uma das “cenas” do século.

E depois dizem que não temos motivos para dar uma boa e farta gargalhada!!!